30/03/2011

Energia limpa e inovação dominam a primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética

O Conselho Estadual de Política Energética de São Paulo (CEPE) se reuniu pela primeira vez na manhã de hoje, 30 de março, numa conferência realizada no Palácio dos Bandeirantes, zona sul da capital.  Além do secretário estadual de Energia, José Aníbal, que preside o CEPE, estiveram presentes o  governador Geraldo Alckmin, o vice-governador e secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento  Econômico, Guilherme Afif Domingos, e os secretários das pastas de Meio-ambiente, Planejamento,  Saneamento, Agricultura e Casa Civil.

“São Paulo tem tamanho de país. Tem parque industrial e população de país. Temos grandes desafios. Tenho certeza de que o Conselho Estadual de Política Energética trará muitas contribuições a São  Paulo e ao Brasil”, disse o governador Geraldo Alckmin, após a apresentação dos membros do CEPE.

Além dos titulares das pastas citadas, o CEPE é formado por representantes da Assembleia  Legislativa (Rodrigo Del Nero), das universidades públicas (Carlos Alberto Canesin/Unesp), dos  institutos de pesquisa (João Fernando Gomes de Oliveira/IPT), da FIESP (Carlos Antonio Cavalcante),  da FECOMÉRCIO (Sanae Murayama Saito), da FAESP (Fábio Salles Meirelles), e por quatro membros de notório saber (Prof. José Goldemberg, Prof. José Sidney Martini, Prof. Sérgio Bajay e Prof. David  Zyjlbersztajn).

Os debates inaugurais dão uma ideia da variedade de temas e de pontos de vista que o Conselho  procura agregar. O prof. José Goldemberg, que abriu as discussões, lembrou que o planejamento  energético e as diretrizes estratégicas não podem deixar de lado a questão da sustentabilidade.  “Enquanto a Inglaterra cobra 16 € por tonelada emitida de CO2, o governo brasileiro isentou o IPI dos automóveis sem pedir nenhuma contrapartida ambiental das montadoras. É preciso agir”, disse.

No mesmo tom, o secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, lembrou aos presentes que o  estado já desenvolve óleo diesel a partir de cana-de-açúcar, bem como a Embraer, em parceria com a  Azul Linhas Aéreas, já testa em vôos uma nova fórmula de querosene de aviação produzido a partir  de Etanol. “É preciso apoiar e aprofundar estas pesquisas. A expertise do Brasil nos biocombustíveis  nos dá uma vantagem estratégica que precisa ser melhor aproveitada. Aí está o futuro”, disse.

Carlos Alberto Canesin, representante da Unesp, ressaltou o enorme potencial em energia  fotovoltaica que o Brasil não aproveita. Do total de energia de origem fotovoltaica produzida no  mundo, aproxidamente 50% é produzido na Alemanha. Já o Brasil, que possui um potencial  incomparavelmente superior, não domina a tecnologia nem estimula adequadamente o seu uso em  grande escala. “O mesmo pode ser dito da energia eólica”, completou

Outro assunto bastante discutido foi a cogeração a partir do bagaço de cana. José Goldemberg foi  enfático nesta questão. “O aproveitamento energético da biomassa é a solução do futuro”, disse. E  ainda lembrou que já existem linhas de crédito do BNDES voltadas exclusivamente para a substituição  das caldeiras de baixa pressão por outras mais modernas e produtivas. Aproveitando o apelo por  soluções racionais, baratas e abundantes, o prof. José Sidney Martini sublinhou uma outra função do  CEPE: a de ser um centro indutor de inovação. Como exemplo, citou a discussão atual sobre os  royalties do petróleo: “Por que não receber parte do pagamento dos royalties em gás natural?”.

Por fim, o secretário de Energia e presidente do CEPE, José Aníbal, ressaltou a importância de um  fórum de discussão e de indução de políticas públicas tão qualificado e variado como o que foi  instalado na manhã de hoje. “Unir personalidades de notório saber, representantes do setor  produtivo, representantes do governo e dos institutos de pesquisa dá uma boa química. Uns pedem  mais foco, outros mais regulamentação, outros pedem mais abertura ao Governo Federal. A demanda  sobre a área energética é enorme. Isso mostra como foi oportuna a recriação da Secretaria de  Energia e a instalação do Conselho.”, concluiu.  

Matriz Energética 2035 também foi lançada hoje

Também foi apresentada hoje, durante a reunião de instalação do CEPE, a Matriz Energética do  Estado de São Paulo 2005 – 2035. A Matriz é uma ampla e detalhada pesquisa de projeção de  cenários energéticos e sócio-econômicos, cujo objetivo é orientar as futuras ações de governo e as  políticas públicas tendo em vista o equilíbrio entre o ritmo do crescimento econômico, a eficiência  energética e a redução de custos econômicos e ambientais.

Elaborado a partir da análise de dados consolidados e de simulações de desempenho em diversas  atividades, o estudo toma por parâmetro para a construção de cenários futuros uma projeção de  crescimento médio do PIB do estado da ordem de 3,5% ao ano. A partir deste índice, torna-se viável  calcular aproximadamente as necessidades energéticas do estado em números absolutos, bem como  por setor econômico e por fonte energética, possibilitando ao poder público uma maior acuidade no  planejamento e nos investimentos requeridos.

Na análise global da composição da demanda energética do estado de São Paulo prevista pela Matriz  2035, a demanda de energia, em termos totais, sairá de 51 milhões tOE (2005) para 130 milhões tOE  ao final da simulação (2035). A demanda de eletricidade crescerá em média 1,8% ao ano, enquanto a  oferta média aumentará 1,3%. Isto significa que, caso sejam mantidas as perspectivas de crescimento em 3,5% ao ano, São Paulo terá que importar energia elétrica, mesmo com o aumento da oferta geral  de energéticos.

Ainda segundo o estudo, o crescimento do setor de transporte na demanda geral por energia (de  33% em 2005, para 36% em 2035) deverá pressionar a participação do diesel na matriz energética  (de 14,9% para 16,3%). Por outro lado, crescerá também a participação de fontes limpas, como o  bagaço de cana (de 18,9% para 23,5%), o etanol (4,1% para 7%) e o gás natural (de 6,9% para  10,3%), reduzindo participação da eletricidade na matriz (de 19,9% para 13,9%). O consumo  industrial deverá atingir quase a metade de todo o consumo de energéticos (48%). Já o residencial  deverá cair pela metade (de 8% para 4%).