15/06/2011

Senado dos EUA mantém barreira ao etanol brasileiro

O Globo, 15 de junho de 2011.

WASHINGTON – Ainda não foi desta vez que os produtores brasileiros puderam comemorar o fim dos subsídios ao etanol nos Estados Unidos. O Senado americano rejeitou nesta terça-feira, por 59 a 40 votos, a emenda do parlamentar republicano Tom Coburn (Oklahoma) que propunha a eliminação da tarifa de importação do etanol brasileiro de U$ 0,54 por galão (equivalente a 3,78 litros) e também do subsídio de U$ 0,45 por galão ao etanol misturado à gasolina – benefício igualmente usufruído pelos produtores brasileiros, mas ainda assim subsiste uma tarifação de U$ 0,09. O valor anual dos subsídios aos cofres americanos é estimado em U$ 6 bilhões.

– Eliminar os subsídios e a tarifação ao etanol seria um grande passo na direção de restaurar o bom senso fiscal em Washington. A política do etanol é ruim do ponto de vista econômico, energético e ambiental – disse Tom Coburn num comunicado, ao defender sua proposta no contexto da exigência de redução de gastos públicos nos EUA.

Seus argumentos, no entanto, não convenceram a maioria dos senadores. Venceu novamente o lobby dos estados americanos produtores de milho, os maiores beneficiados pelos subsídios, e de grupos como o Americanos pela Reforma Tributária (ATR, na sigla em inglês), liderado pelo conservador Grover Norquist, que exige a garantia de que não o fim dos créditos ao etanol não implicará num aumento de taxação.

A votação frustra mais uma vez os produtores brasileiros e adia suas pretensões de entrar com maior força no mercado americano de crescente demanda. A produção total de etanol do Brasil ronda os 6 bilhões de galões ao ano, a segunda no ranking mundial, atrás apenas dos EUA, acima dos 12 bilhões de galões anuais.

O fim dos subsídios ao etanol tem sido uma constante reivindicação do governo de Brasília em suas negociações com Washington, e foi tema de discussão entre os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama na recente visita do líder americano ao Brasil em março. Na mesa de negociações, as autoridades dos EUA costumam argumentar que o polêmico item da agenda bilateral depende da aprovação do Congresso americano.