21/10/2011

Conselho Estadual de Política Energética se reúne para debater o Plano Estadual de Energia

O Conselho Estadual de Política Energética (CEPE) se reuniu pela segunda vez na tarde da última quinta-feira, na sede da Secretaria de Energia, para debater os próximos passos no desenvolvimento do Plano Estadual de Energia (PEE). Estavam presentes representantes da FIESP, FECOMERCIO e FAESP, os especialistas em energia prof. José Goldemberg, prof. José Sidnei Martini e prof. Sérgio Bajay, o representante da Assembléia Legislativa, deputado Roberto Massafera, representantes das pastas de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Saneamento, além do secretário adjunto Ricardo Achilles e o secretario José Aníbal, que também preside o Conselho.

O subsecretário Arnaldo Silva Neto iniciou a reunião apresentando as expectativas da demanda para cada energético, considerando o atendimento à Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC). Para a realização dos estudos foram criados três comitês técnicos: Planejamento Energético, Conservação e Racionalização, Energias Alternativas e Programas Específicos.

Segundo o subsecretário, não é possível desenvolver uma política energética para o Estado sem levar em consideração a PEMC e o Conselho Estadual de Petróleo e Gás (CEPG): “Temos três ações específicas, definidas em momentos diferentes da história e com objetivos iniciais diversos, mas hoje não podemos trabalhá-las de maneira isolada. Devemos considerar as intersecções entre eles durante o desenvolvimento do nosso plano energético”, afirmou Arnaldo.

Como as estratégias de atendimento a PEMC não foram concluídas, a Secretaria de Energia adotou uma série de hipóteses de substituições de energéticos, utilizando como referência o ano de 2020, com base no inventário de emissões da CETESB, na expectativa de crescimento econômico e os valores de consumo energético. Com a adoção das hipóteses, o índice de emissões seria reduzido de 88.865 10³ t para 66.062 10³ t, sendo que a meta definida pela CETESB é de 71.075 x 10³ t.

 

O professor Sérgio Valdir Bajay, representante da UNICAMP, afirmou que apesar do bom resultado obtido com a substituição, é necessário avaliar a realidade atual do Estado: “Além do estudo da oferta e demanda de energéticos, não devemos esquecer as políticas públicas em andamento e novos programas na área de eficiência energética em desenvolvimento”, lembrou o professor, que sugeriu uma parceria entre as universidades do Estado e os comitês técnicos.

Já Carlos Alberto Canesin, representante da UNESP, ressaltou que os grupos de trabalho também devem estar atentos às competências técnicas em energias renováveis e normatização voltada à indústria – que está se movimentando em busca da eficiência: “Temos um enorme potencial em energia  fotovoltaica, o segmento com maior crescimento nos próximos 20 anos. O Brasil ainda não tem uma normatização para eletroeletrônicos, mas a indústria já está se movimentando para a criação da normatização dos inversores solares”.

 

Metas mais ousadas foram defendidas por José Sidnei Martini. O professor acredita que os trabalhos já realizados estão no caminho certo, mas que é preciso arriscar: “Em paralelo à Política Energética temos que nos aventurar em novas idéias, inovações, centros de pesquisa. Se olharmos apenas as tendências que já existem, ficaremos a mercê das inovações das indústrias estrangeiras. O Brasil desenvolveu o carro a álcool em meio a uma crise de petróleo e se tornou referência. Temos que ser ousados”, disse Martini.

Por fim, o secretário de Energia e presidente do CEPE, José Aníbal, ressaltou o avanço no desenvolvimento dos estudos e afirmou que, apesar das dificuldades com a regulamentação do setor e com interesses privados, é necessário continuar a caminhada, um esforço conjunto do governo, da sociedade, da indústria e comércio. “A Secretaria de Energia não mede esforços para ampliar o potencial energético do Estado de modo sustentável. Debater o nosso trabalho junto a esse Conselho formado por profissionais de vários setores, nos ajuda a enxergar novos rumos e traçar as melhores ações para São Paulo”.