26/10/2012

Apagão mostra falta de investimento, afirma Aníbal

SÃO PAULO – O secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal, afirmou nesta sexta-feira que os sucessivos apagões ocorridos nas últimas semanas no País mostram que faltam investimentos no setor, principalmente em manutenção de equipamentos. “Pode até ter ocorrido algum episódio externo, mas a frequência dos apagões deixa claro que há um problema, não pequeno, de falta de manutenção”, disse à Agência Estado.

O secretário mencionou ainda a ausência de investimentos suficientes em transmissão de energia e citou, como exemplo, usinas eólicas que estão prontas para entrar em operação no Nordeste mas não fornecem energia ao sistema por falta de linhas de transmissão. “O consumidor já está pagando por essa energia, que não pode ser transmitida”, afirmou.

Aníbal, que é do PSDB, rejeitou uma comparação dos recentes apagões com os episódios ocorridos em 2001, quando o País era governado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso. “Em 2001 não houve apagão, e sim um racionamento de energia”, afirmou. De acordo com ele, falhas de planejamento levaram, na época, à necessidade de “readequação” do consumo de energia elétrica. “Se houvesse planejamento mais adequado, provavelmente não haveria ocorrido aquilo”, admitiu.

Aníbal reclamou de uma “politização” das recentes falhas no sistema por parte de membros do governo federal no setor de energia. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, chamou de “apaguinho” a queda de energia ocorrida nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos Estados do Acre e Rondônia, no início do mês. “Não foi um apagão como o de 2001”, disse o diretor, na ocasião. Aníbal pediu mais ação do governo federal para acabar com as quedas de energia. “Estamos falando de uma coisa muito séria que transcende disputa política”, disse.

O secretário paulista disse também que o consumidor será prejudicado na tarifa de luz por conta do acionamento de usinas termelétricas que queimam óleo, biomassa ou gás, que produzem uma energia mais cara. “Sem dúvida haverá repasse”, afirmou. As termelétricas são acionados pelo ONS para suprir o abastecimento de energia, ameaçado pelo período de seca que compromete os reservatórios das hidrelétricas.