22/10/2012

Gás e petróleo

Na última semana, São Paulo sediou dois eventos importantes para a discussão das perspectivas no setor de energia.

A “Santos Offshore”, maior evento no Estado sobre o setor de petróleo e gás natural, evidenciou a crescente organização do setor produtivo paulista para enfrentar os desafios da exploração do pré-sal na Bacia de Santos. São Paulo destaca-se pelo fornecimento de bens e serviços de alto valor agregado para o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva e vive a expectativa de ampliação desta participação.

A indústria no Estado busca as condições de negócio adequadas para se estruturar e garantir o desenvolvimento dos setores de exploração e produção do petróleo e do gás. Do ponto de vista estratégico, a elaboração de uma cadeia de fornecedores capaz de garantir índices satisfatórios e crescentes de conteúdo local é fundamental para potencializar a internalização dos benefícios advindos da exploração dos recursos do petróleo.

A construção dessas condições passa pela solução de gargalos importantes como a disponibilidade de recursos humanos qualificados, tecnologia de gestão nas empresas da cadeia de fornecedores e recursos acessíveis para investimento.

O Governo do Estado dedica atenção especial para garantir o desenvolvimento sustentável na região. O governador Geraldo Alckmin anunciou no início deste ano um aporte de mais de R$ 5,3 bilhões em obras de transporte, logística, saneamento, saúde e educação na Baixada Santista, com destaque para os projetos de mobilidade urbana, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o túnel que liga Santos ao Guarujá.

Também na semana passada, o “Fórum Brasil Competitivo” debateu o futuro do gás natural no País. O grande desafio está em reconhecer a importância do gás como fator efetivo de competitividade da indústria nacional, estabelecendo uma política de Estado que permita disseminar os benefícios do uso desse energético por todo o setor produtivo.

Isto deve ser feito para substituir a política empresarial vigente conduzida pela Petrobras, que coloca em primeiro plano o atendimento dos seus interesses corporativos e constitui, na prática, a trava para uma maior participação do gás na matriz brasileira.

Essa nova política de Estado proposta certamente trataria, entre outros temas, da criação de condições para se estabelecer um preço mais justo para o gás não associado e da facilitação do acesso à infraestrutura de escoamento e transporte para outros produtores, de forma a permitir a oferta de gás natural por novos agentes. 

Observamos nos encontros realizados na semana passada que o diálogo está aberto e é necessário. Como Estado mais industrializado da nação, o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Energia, está determinado a contribuir na elaboração de políticas de incentivo que tornem a economia do País cada vez mais presente e competitiva no cenário mundial.

José Aníbal é economista e secretário de Energia de São Paulo