21/11/2012

Sem mudança, Cesp não renova concessão, diz Aníbal

O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse ter recebido com surpresa as declarações do ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, sobre a possível renovação dos contratos de concessões da estatal paulista Cesp. Em entrevista ao Valor publicada na segunda-feira, Zimmermann declarou que a Cesp e a transmissora Cteep vão acabar prorrogando suas concessões, que têm com vencimento entre 2015 e 2017.

Em entrevista ao Valor, Aníbal criticou as declarações do ministro interino e disse que, desde o anúncio da MP provisória pelo governo, o avanço nas negociações com a Cesp foi “zero”.

Mantidas as atuais condições impostas pela União para quem quiser renovar automaticamente as suas concessões, disse Aníbal, a Cesp prefere concluir seus contratos e entregar as usinas. “Essa declaração do Zimmermann é uma fantasia. Temos 700 megawatts de energia contratados a preços atuais até 2015. O governo quer que aceitemos uma receita de R$ 7,42 por megawatt a partir do ano que vem. É um completo absurdo”, disse. “O governo quer tungar nossos ativos e nós ainda temos que pagar a conta?”, questionou.

Segundo o secretário, a possibilidade de venda da Cesp, que no passado chegou a ser avaliada pelo governo paulista, hoje ficou totalmente inviabilizada por conta das condições apresentadas pelo Palácio do Planalto. “Se ficamos até o fim dos contratos, a Cesp só terá mais dois anos de operação garantida pela frente. Se renovar a concessão, terá uma receita pífia. Por dedução, o negócio ficou inviável.”

A Cesp é dona de três hidrelétricas com vencimento até 2017: a usina Três Irmãos, com potência de 807,50 megawatts (MW), a hidrelétrica de Jupiá (1.552 MW) e a de Ilha Solteira (3.440 MW).

Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o governo está convicto de que a transmissora Cteep e a Cesp renovarão suas concessões. “Provavelmente, no dia 4 de dezembro, vocês terão surpresas”, disse, ao se referir à adesão das empresas.

O secretário de Energia paulista também criticou ainda as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que sinalizou que o Tesouro poderá socorrer a Eletrobras com aporte financeiro, por conta do derretimento das contas da empresa. “Quer dizer que para a Eletrobras pode, e os outros que se virem? Esse processo está errado desde o início”, disse Aníbal.

*por André Borges