25/02/2013

Integração contra os temporais

Com a recriação da Secretaria de Energia, em janeiro de 2011, o Governo de São Paulo passou a exigir das concessionárias que atuam no estado planos de contingência mais efetivos para o período de chuvas.

As equipes de emergência, as centrais de atendimento ao cidadão, a modernização e a manutenção da rede elétrica, bem como a prontidão dos órgãos de defesa do consumidor, tudo é escrutinado, avaliado e redimensionado (caso necessário) pelo corpo técnico da secretaria para que os temporais afetem o mínimo possível a vida das pessoas.

No entanto, por mais rigorosos e bem executados que sejam os planos, há limites operacionais para o bom cumprimento do que foi estabelecido.

As fortes chuvas causam alagamentos e tiram os semáforos do ar em diversos pontos da cidade, atrapalhando o deslocamento e a ação rápida das equipes de emergência.

A queda de centenas de árvores sobre a rede elétrica demanda a ação do corpo de bombeiros, cuja prioridade é o atendimento das pessoas em situação de risco. Essas dificuldades circunstanciais põem em risco a eficácia daquilo que foi bem planejado.

Os eventos da semana passada em São Paulo mostram a necessidade de coordenar ações para mitigar os efeitos dos temporais. Por isso, o governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Energia, estuda a criação de um comitê gestor que envolva prefeituras e empresas para a integração do planejamento, das ações preventivas e emergenciais como forma de atenuar os prejuízos da população durante a época dos temporais.

O objetivo é estabelecer uma agenda conjunta de ações prioritárias ao longo do ano, possibilitando uma resposta mais rápida e eficaz no momento de emergência.

Compartilhando informações infraestruturais, técnicas, logísticas e operacionais, a rede de serviços públicos de atendimento emergencial pode criar sinergias valiosas para que a vida da cidade não seja tão afetada durante a temporada de chuvas fortes.

Somente assim, com inteligência e planejamento, compartilhando responsabilidades e trabalhando juntos em nome do interesse público, conseguiremos responder com rapidez e eficácia aos desafios de uma metrópole tão complexa como São Paulo.

AES Eletropaulo – Na semana passada, quando um temporal deixou 50 mil unidades consumidoras sem luz, os sistemas operacionais de atendimento ao cidadão da AES Eletropaulo ficaram fora do ar por 5h30, o que é inaceitável.

A Secretaria de Energia, em parceria com a Arsesp, tomará as medidas necessárias para que a empresa seja penalizada pelos transtornos causados aos consumidores.

Nos últimos dois anos, a Arsesp aplicou mais de R$ 62 milhões em multas às empresas.

Para quem argumenta que as penalizações são ineficazes, os números mostram o contrário: no mesmo período, a frequência de interrupções caiu 14% e o tempo médio sem luz recuou 21% durante o verão.

José Anibal é economista e secretário estadual de Energia de São Paulo