18/02/2013

O momento da Petrobras

Desde a lei do petróleo de 1997, que quebrou o monopólio da Petrobras e a obrigou a disputar mercado com grandes competidores internacionais, a empresa triplicou de tamanho, ganhou eficiência e musculatura, tornou-se líder mundial em tecnologias de exploração em águas profundas, conquistou a autossuficiência (embora temporária) e começou a explorar as jazidas no pré-sal.

O balanço da companhia, no entanto, evidencia o resultado da temerária orientação política na condução da empresa durante os dois mandatos do ex-presidente Lula.

Ao se afastar de seus objetivos eminentemente empresariais, passando a servir como ferramenta de ajustes macroeconômicos do governo, a Petrobras teve prejuízos bilionários, se endividou, perdeu metade de seu valor de mercado e, com a produção atualmente em declínio, tem reduzida tanto a geração de caixa quanto a capacidade de investimento.

Quando Maria das Graças Foster assumiu o comando da empresa, em fevereiro do ano passado, ficou claro que a estatal encerrava um ciclo “expansionista” e iniciava um período de ajustes.

O problema, devido a escala monumental da empresa, é que a correção de rota levará tempo.

Uma série de fatores influenciou o mau resultado, da variação cambial à dificuldade de gerir com eficiência uma cartela de projetos de tal escala, sem esquecer alguns maus negócios realizados no exterior.

Mas nenhum outro fator foi tão determinante como o prejuízo do setor de abastecimento.

Com a defasagem nos preços da gasolina (20%) e do diesel (14%), controlados desde 2005, somada ao esgotamento da capacidade de refino e ao aquecimento do mercado automotivo, o prejuízo com importação de combustíveis atingiu quase US$ 33 bilhões nos últimos dois anos.

Não bastasse a pressão inflacionária represada, que nos faz lembrar tempos sombrios pré-Plano Real, quando as tarifas públicas eram utilizadas para postergar a inflação, a reação da empresa será lenta.

Não há previsão de novos projetos até 2014, a deterioração da relação dívida/fluxo de caixa deve afetar o grau de investimento, tornando mais cara a capitalização, além do fato de que a nova legislação, que prevê a participação mínima da Petrobras em pelo menos 30% dos poços, requisitará uma intervenção maior da estatal justo quando ela se encontra mais enfraquecida.

Não é segredo para ninguém que o aumento da gasolina e do diesel não será suficiente para recuperar o fôlego da Petrobras.

No entanto, a previsão é de que a inflação siga beirando o teto da meta em 2014, ano em que a presidente Dilma Rousseff deve disputar uma difícil campanha pela reeleição.

A dúvida é se o Planalto vai manter a política de sacrifício da Petrobras, em nome das metas do governo, ou se o poder executivo vai tocar seriamente a intenção de recuperar a empresa.

A saúde financeira da Petrobras é fundamental para o crescimento do Brasil. Cabe ao governo colocar a empresa de volta aos trilhos onde a encontrou.

José Aníbal é economista e secretário de Energia do estado de São Paulo