18/03/2013

É preciso inovar para competir

No momento em que o governo brasileiro volta todas as suas atenções para os gargalos da produtividade e da competitividade, a resposta das políticas públicas de estímulo à ciência, à tecnologia e à inovação tem sido desanimadora.

Malgrado as boas intenções preconizadas nos planos estratégicos, os investimentos em pesquisa empacaram em 1,2% do PIB – metade da média dos países desenvolvidos.

Segundo o último ranking do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa apenas o 48º lugar entre 144 países nos quesitos competitividade e inovação tecnológica.

Não bastasse a insuficiência do volume de investimentos, 60% dos financiamentos estão concentrados nas instituições públicas e universidades, mas apenas cerca de 10% dos grupos de pesquisa do CNPq estão vinculados ao setor privado.

Na contramão das principais economias do planeta, que têm na iniciativa privada a grande fomentadora da pesquisa, somente 25% de nossos pesquisadores atuam nas empresas, algo em torno de 50 mil pessoas, enquanto nos EUA 1 milhão de cientistas se debruçam sobre a inovação de produtos e processos de produção.

No Brasil, apesar do número crescente de artigos científicos publicados, 80% dos 12 mil doutores formados anualmente têm como destino a sala de aula, e não as empresas.

Este dado mostra que ainda nos encontramos no primeiro estágio do desenvolvimento científico: ainda formamos os professores, e só então estes formarão os cientistas.

A modesta participação do país em geração de patentes evidencia a dificuldade de se transformar ciência em ativos competitivos. Essa defasagem dos processos produtivos, junto com a falta de qualificação profissional, é ponto central na perda de fôlego que testemunhamos.

O problema é que a reprimarização da pauta de exportações em nada estimula o desenvolvimento científico. Entre 2007 e 2010, a participação das commodities nas trocas internacionais do Brasil saltou de 40% para 50%, enquanto o déficit na balança comercial em segmentos de média e alta tecnologia passou de US$ 10,1 bilhões para US$ 28,4 bilhões no mesmo período, crescimento de 184%.

Sem inovação tecnológica, a indústria seguirá perdendo espaço na composição do PIB para produtos agropecuários, minérios e madeira.

Para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Brasil precisa formar 150 mil novos doutores e 450 mil novos mestres nos próximos 10 anos. Para tal, o investimento em pesquisa deveria dobrar, mas nos últimos anos o orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia sofreu cortes sistemáticos – 22% em 2011 e 2012.

Se o governo e o setor privado devem priorizar a pesquisa, os estados também têm de assumir o papel de fomentador. Segundo dados do próprio ministério, São Paulo responde por 33% do PIB, mas concentra 70% de todo o dispêndio dos estados com pesquisa. Dos R$ 7 bilhões investidos em 2010, R$ 5 bilhões foram aplicados em São Paulo.

José Aníbal é economista e secretário estadual de Energia de São Paulo