04/04/2013

Atlas destaca potencial solar da região

Atlas Solar do Estado de São Paulo, lançado ontem, aponta a região de Campinas com grande potencial para atrair investimentos na produção de energia solar em grande escala. O potencial de Campinas é de 5,4 Kwh/m2 por dia, mesmo índice de Valinhos, Vinhedo, Atibaia, Indaiatuba, Monte Mor. Os maiores potenciais, de 5,6 Kwh/m2, estão em Engenheiro Coelho, Artur Nogueira e Cosmópolis. Os maiores índices ficam nas regiões Norte e Noroeste do Estado.

Para atrair investimentos no setor, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) baixou decreto isentando de ICMS a cadeia de insumos usados nos setores solar, para aquecedores, e eólico (energia do vento) e determinou estudos para estender o benefício à energia fotovoltaica (elétrica). Segundo o estudo, feito pela Secretaria de Estado da Energia com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Estado tem potencial energético de 12 TWH/ano, suficiente para abastecer 4,6 milhões de residências, o equivalente a 30% do consumo residencial do Estado, o dobro da Alemanha, país que mais investe no setor.

Alckmin informou que quer incentivar a construção de parques de produção de energia solar e também eólica em território paulista. Segundo o secretário de Energia, José Aníbal, todas as questões sobre energia merecem atenção especial de São Paulo, já que o Estado é o maior centro consumidor do País. “São Paulo tem 56% de energias renováveis e pretende chegar em 2020 com 69%, por isso, precisamos pensar em fontes alternativas para avançar nessa meta”, disse.

Segundo a Secretaria de Energia, no Brasil há atualmente vários projetos em curso para o aproveitamento da energia solar, sobretudo por meio de sistemas fotovoltaicos de geração de eletricidade, cuja aplicação busca atender às comunidades isoladas da rede de energia elétrica e ao desenvolvimento regional. O mercado brasileiro de energia solar é incipiente, produzindo cerca de 2 megawatts (MW) anuais em projetos-piloto.

Outra utilização da energia solar, esta mais difundida, é para aquecimento de água. Um sistema básico desta aplicação é composto de coletores solares (placas) e de reservatório térmico (boiler). As placas coletoras são responsáveis pela absorção da radiação solar e pela transferência desta energia para a água que circula no interior de suas tubulações. O reservatório térmico é onde ocorre o armazenamento da água aquecida, pronta para o consumo.

O uso da energia solar vem crescendo e segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a capacidade de geração global vem aumentando a uma taxa anual de mais de 40% desde 2000. Até 2050, espera- se que a energia solar forneça 11% da produção global de eletricidade, correspondendo a 3 mil gigawatts (GW) de capacidade instalada. Hoje, os países que mais a  produzem são Japão, Estados Unidos e Alemanha.

O secretário José Anibal lembrou que no Estado já há um empreendimento que materializa a expectativa paulista, que é a usina Tanquinho, inaugurada em novembro pela CPFL Renováveis, em Campinas. A planta tem 13,7 mil m2 de área coberta com painéis fotovoltaicos e é apontada como o maior empreendimento solar do Brasil, com capacidade para produzir até 1,6 gigawatts hora por ano, o equivalente para atender ao consumo médio de 607 famílias.

Tanquinho já abastece residências em AlphavilleCom a inauguração em novembro, em Campinas, da primeira usina de energia solar (fotovoltaica) do Estado pela CPFL Energia, a empresa abriu caminho para que a energia solar passe a integrar a matriz energética paulista. As residências da região do Alphaville já estão, desde o ano passado, recebendo energia elétrica proveniente do sol. A meta do governo paulista é chegar a mais de mil megawatts de energia fotovoltaica até 2020.

A Usina Solar Tanquinho, instalada na região do hotel Solar das Andorinhas, foi instalada em regime de pesquisa e desenvolvimento, produzindo 1,1 megawatts. Ali, estão sendo avaliadas várias tecnologias de placas. Na área de 13,7 mil m2 da Subestação Tanquinho foram instalados 4,5 mil painéis solares fotovoltaicos que geram energia equivalente ao consumo de 657 clientes com uso médio de 200 Kwh/mês.

Junto com a produção comercial de energia solar, a empresa vai desenvolver uma série de pesquisas para viabilizar economicamente a produção, instalação e monitoramento da geração solar fotovoltaica para injeção de energia elétrica nos sistemas de distribuição e transmissão.

Por Maria Teresa Costa