01/04/2013

Luz solar, eletricidade e desenvolvimento sustentável

De forma pioneira, o estado tem agido para garantir a geração de energias limpas e renováveis, materializando investimentos que se concretizem em indústrias e em empregos.

Importante dizer que essas alternativas, no estado, não se tratam de opções, simplesmente. Em São Paulo alternativas energéticas limpas são objeto de políticas públicas, de ações.

Essas ações visam atingir um compromisso público que consta no Programa Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC ): 69% de fontes limpas em nossa matriz energética, em 2020. Os 55% que temos hoje já nos colocam numa posição de destaque no Brasil, onde ocupamos o primeiro lugar, e no mundo.

Por isso, no próximo dia 3, divulgaremos o estudo que mostra o potencial solar do estado de São Paulo, cuja base foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ficamos estimulados com o resultado.

Segundo dados deste estudo, contamos com um potencial a ser instalado da ordem de 9.100 MWp (megawatt pico). A capacidade da usina de Belo Monte é de 11.000 MW.

Trocando em miúdos, a energia gerada por luz solar, em São Paulo, seria capaz de atender 4,6 milhões de residências ou seja, 30% do consumo residencial do estado.

Esse indicador mostra mais uma importante opção energética no estado de São Paulo. Sabemos, contudo, que entre expectativas e realizações cabem ações. No caso da energia solar o principal desafio é o custo da geração.

Embora decrescente nos últimos dois anos (o custo era de R$350 MWh em 2011), o custo atual da energia solar é de R$150/ R$160. O da energia eólica está por volta de R$100.

Portanto, se o mérito do estudo é mostrar que temos um potencial capaz de justificar empreendimentos solares, enquanto estado nosso compromisso é fazer com que essa energia seja, efetivamente, aproveitada. Contamos com centros de pesquisa de ponta (o Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP é um exemplo), profissionais qualificados e empresas que vêm trabalhando no desenvolvimento de tecnologias para diminuir os custos com a geração de energia solar.

A proximidade com o mercado consumidor, o que reduz fortemente investimentos com infraestrutura de distribuição e ampliação da rede, é outra vantagem importante, além de políticas públicas compatíveis com o desenvolvimento do setor, como redução dos tributos, fazendo de São Paulo um polo para a expansão da energia solar.

Hoje já temos, no estado, um empreendimento que materializa nossa expectativa: a usina Tanquinho, inaugurada em novembro passado pela CPFL Renováveis. Localizada em Campinas, a planta conta com 13.700 m2 de área coberta com painéis fotovoltaicos e é apontada como o maior empreendimento solar do Brasil, com capacidade para produzir até 1,6 gigawatts hora por ano, o equivalente para atender ao consumo médio de 607 famílias.

O sol, que em São Paulo tem permitido o desenvolvimento de uma diversidade enorme de culturas agrícolas, pode, aliado ao desenvolvimento tecnológico, gerar, também, energia elétrica.

José Aníbal é economista e secretário de energia do estado de São Paulo