27/05/2013

‘Brasil tem que dobrar oferta de energia’

Secretário de Energia aponta desafio para País não emperrar no processo de desenvolvimento econômico e social

Nélson Gonçalves    

O secretário estadual de Energia, José Aníbal (PSDB), disse ontem à noite, durante palestra na Festieco/Fimab 2013, que o Brasil tem o desafio de dobrar a oferta de energia até 2022. A disponibilidade de energia é um dos principais pontos concorrentes, contra ou a favor, ao crescimento nacional e ao enfrentamento do mercado global.

Aníbal acha a meta realizável. “O Brasil tem de dobrar seu patamar de oferta de energia até 2022. É um enorme desafio, mas que terá de ser enfrentado sob pena de ficarmos estagnados no processo de competição mundial e, naturalmente, do crescimento interno. O governo federal tem muito a fazer nesse campo. E o bom dessa história é que temos enorme potencial de crescer em produção de energia com fontes com menor impacto ambiental, como os processos derivados do etanol, como a palha e bagaço, e até de fontes ainda pouco exploradas, como a solar e eólica. Mas temos condições de atingir a meta necessária”, abordou.

O secretário antecipou que no próximo leilão do setor a ser realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em agosto próximo, São Paulo e Rio Grande do Sul serão bastante favorecidos. “É que o leilão de agosto vai privilegiar o carvão, com impacto para o Sul, e a biomassa, onde São Paulo desponta disparado. Vamos aproveitar esse movimento”, conta.

Sobre a biomassa, Aníbal aposta no crescimento vertiginoso da geração de energia a partir da palha e do bagaço da cana nos próximos anos. “Nosso potencial qualificado hoje é de saltar de 4.500 megawatts de energia gerada dos processos paralelos do etanol, nas usinas, para 13 mil megawatts até 2020. Isso equivale a produzir por fonte renovável, sustentável, uma Itaipu inteira. É um enorme potencial”, avalia.

Outro avanço no setor é que a geração de energia como subproduto das atividades do etanol, a partir da produção de cana e de açúcar, já não mais coincide somente com a safra, que perdura de oito a nove meses por ano. “É um processo que se desenvolveu nas usinas e hoje é feito durante os três meses em que não há colheita, o que também é fundamental para essa atividade”, menciona.

O governo de São Paulo também está negociando, em outra frente, os “dividendos” da previsão de expansão do petróleo do pré-sal. “Eu estive reunido com os dirigentes da Petrobras em Santos nos últimos dias. E o que eu disse a eles, na negociação paulista dos frutos do pré-sal, é que nós não queremos ver nossas cidades como Macaé (RJ), onde o município recebeu enorme ganho de receita em razão do petróleo a grandes profundidades, mas os indicadores sociais do município pioraram, com mais pobreza. Porque esse dinheiro foi diluído em outros processos e não em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Estamos negociando isso e a percepção tem sido positiva”, indica.

São Paulo responde por 66% do consumo total da Petrobras. “Somos o maior cliente da Petrobras no Brasil e é natural que estejamos esperançosos de que esses recursos do pré-sal possam melhorar a vida nos municípios. Queremos partilhar isso com mais renda, condições urbanas de mobilidade e vida, centros de pesquisa, infraestrutura”, finaliza.

O secretário José Aníbal fez também uma ampla explanação sobre o panorama das fontes renováveis de energia no Estado de São Paulo, que lidera o País neste quesito.