31/07/2013

Eletricidade abre novas frentes de mercado

Responsável por 9,6% da área plantada com cana no Estado de São Paulo, a região de Campinas terá papel importante na ampliação do potencial estadual instalado de bioeletricidade dos atuais 4,8 mil MW para 13 mil MW, até 2020, disse o secretário de Energia do Estado, José Anibal.

Segundo ele, o setor precisará investir R$ 28 bilhões em sete anos para atingir uma das metas do Plano Paulista de Energia (PPE), lançado na semana passada, que prevê ampliar dos atuais 56% para 69% a participação de fontes renováveis na matriz energética do Estado até 2020.

O Estado de São Paulo, que responde por mais da metade da produção nacional da cana-de-açúcar, pretende expandir o aproveitamento da bioenergia gerada a partir do bagaço e da palha do insumo e ainda do biogás de vinhaça.

Para o secretário, a região de Campinas tem grandes chances de atrair empresas da cadeia de energia eólica e solar. O Atlas Solar do Estado de São Paulo aponta grande potencial para produção de energia solar em grande escala: 5,4 Kwh/m2 por dia – mesmo índice de Valinhos, Vinhedo, Atibaia, Indaiatuba e Monte Mor.

Os maiores potenciais regionais, de 5,6 Kwh/m2, estão em Engenheiro Coelho, Artur Nogueira e Cosmópolis, enquanto os maiores índices do Estado ficam nas regiões Norte e Noroeste.

A região de Campinas também se destaca entre as de maior potencial para geração eólica, segundo o Atlas Eólico do Estado de São Paulo, que aponta que o aproveitamento do potencial paulista pode gerar R$ 14 bilhões em investimentos, além de cerca de 50 mil empregos em todo o setor.

Cidades que estão no eixo Campinas-Amparo, como Jaguariúna e Pedreira, e Campinas-Jundiaí (Valinhos, Vinhedo e Itatiba) têm velocidade média dos ventos de 6,5 metros por segundo, ou 23,4 quilômetros por hora, o que justifica investimentos na área.

José Anibal disse o governo tem feitos desonerações importantes para alavancar investimentos nesse tipo de geração. Na área de biomassa, por exemplo, o recolhimento de ICMS foi flexibilizado para possibilitar a utilização de créditos na aquisição de máquinas e equipamentos para produção e exportação de bioeletricidade de cana.

O plano prevê viabilizar a construção de redes coletoras da bioeletricidade produzida com a participação de empreendedores do setor de energia elétrica, e também leilões específicos e regionalizados, para dar competitividade ao setor.

O governo baixou decreto isentando de ICMS a cadeia de insumos usados nos setores solar, de aquecedores e eólico e determinou estudos para estender o benefício à energia fotovoltaica (elétrica).

Segundo a matriz energética, o setor de transporte responde por cerca de 58% das emissões de CO2 em São Paulo. Políticas públicas consistentes devem estimular a substituição de derivados do petróleo como óleo diesel, gasolina e óleo combustível por fontes renováveis.

“Nesse sentido, nosso Estado já tem o ICMS mais baixo do Brasil para o etanol, com alíquota de 12%, ante 22% da média nacional”, afirmou o secretário.

Por Maria Teresa Costa