14/11/2014

Novo gasoduto anima empresários

Publicado no “Correio Popular de Campinas” em 06/11/2014

Adriana Leite

A perspectiva da construção de um gasoduto a partir da Bacia de Santos para abastecer com gás natural o Estado de São Paulo animou os empresários. A iniciativa foi anunciada pelo governo estadual na abertura do Campinas Oil & Gas (Campetro) e será realizada pela iniciativa privada. Ontem, último dia do evento, uma rodada de negócios teve mais de 1.400 reuniões entre empresas-âncoras e potenciais fornecedores.

O 1º vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Regional Campinas, José Henrique Toledo Correa, afirmou que o empresariado aguarda mais detalhes sobre o empreendimento, mas que iniciativas que auxiliem na redução de custos são importantes para elevar a produtividade da indústria paulista.  “Na nossa região, as indústrias do polo cerâmico utilizam o gás natural. Mas essa matriz energética hoje é cara porque dependemos do gás que vem da Bolívia”, disse. Ele acredita que a entrada no mercado do gás vindo da Bacia de Santos irá provocar uma redução dos preços. “A partir do momento em que for disponibilizado em maior volume o gás extraído no présal, a tendência é de queda no custo do insumo. A estimativa é que o volume de gás natural no pré-sal brasileiro seja maior do que as reservas da Bolívia”, salientou. Correa disse ainda que os empresários esperam que os governos tomem iniciativas que barateiam o produto no mercado nacional.

O secretário estadual de Energia, Marco Antônio Mroz, explicou que o gasoduto terá uma parte marítima e chegará ao continente no Litoral, onde entrará na tubulação das três empresas concessionárias paulistas que distribuem o insumo. “Os investimentos serão realizados pela iniciativa privada. O governo estadual dará suporte, mas os recursos aplicados serão das empresas”, afirmou. Os investimentos previstos no empreendimento chegam a R$ 11 bilhões. Durante a abertura da Campetro, na última terça-feira, o secretário justificou a necessidade do empreendimento em decorrência da demanda do produto no Estado. Ele informou que circulam 50 milhões de metros cúbicos por dia pelos três gasodutos que cortam o território paulista. No entanto, segundo Mroz, dois desses gasodutos são utilizados para levar gás a outras regiões do País e apenas um deles atende à demanda de São Paulo.

O secretário também afirmou que o gasoduto vai permitir incrementar em 16 milhões de metros cúbicos por dia a quantidade de gás natural disponível no Estado. Ele disse que o barateamento do gás irá elevar a competitividade dos polos industriais. Mroz estimou que o projeto estará efetivamente em operação num prazo entre cinco e seis anos.

Balanço

O vice-diretor do Ciesp-Campinas comemorou o resultado da edição 2014 do Campetro. “A cadeia de petróleo e gás é importante para a região de Campinas. O polo petroquímico local é um dos principais

do País. E a rodada de negócios mostrou a força do setor na região. Foram realizadas 1.424 reuniões com 183 empresas participantes”, comentou.