27/08/2015

Governo quer chamar o mercado para entender resultado do leilão de transmissão

De um total de 11 lotes, apenas quatro tiveram vencedores, sendo que em um houve mais de uma proposta

O resultado do leilão de transmissão realizado nesta quarta-feira, 26 de agosto, que levou à contratação de apenas 19% dos projetos colocados na disputa acendeu o alerta no governo. Tanto que a Agência Nacional de Energia Elétrica reconheceu que esse montante leiloado é considerado como muito baixo e aquém das expectativas. Por esse motivo a agência afirmou que quer ouvir o mercado e avaliar os motivos que levaram à falta de iniciativa dos empreendedores no certame de hoje.

“Esse leilão foi melhor que os demais em termos de prazos e valores de remuneração maiores além de discutir os riscos dos empreendimentos, mas mesmo assim não foi satisfatório e sendo assim, vamos fazer uma nova avaliação na agência e com as entidades evolvidas diretamente (…) e fazer uma reflexão para melhorar os resultados”, reconheceu o diretor da Aneel, Reive de Barros em entrevista coletiva após o leilão.

Segundo sua análise, houve um excesso de oferta de lotes em um momento em que a conjuntura econômica do país não é favorável. Ele disse ainda que há uma redução do número de empreendedores porque uma parte significativa desses está envolvida com obras em curso e que pode ter sido um dos motivos. “Ouvir o mercado é importante, uma vez que a receita e o prazo estão adequados”, acrescentou o diretor da Aneel.

Barros afirmou que os órgãos ambientais, como Ibama, Funai e Iphan, também deverão participar dessa reunião conjunta com o mercado para indicar o que pode ser feito para minimizar o risco de implantação desses projetos. Ele descartou a possibilidade de que a audiência pública que está em andamento na Aneel sobre a transferência das DITs possa ter influenciado a não participação de empresas. “Nossa avaliação é de que resultado desse leilão foi puramente econômico, com a questão do dólar indefinido leva a perspectiva de custos mais elevados e dificuldades em precificar o projeto”, disse o diretor da Aneel.

Um dos projetos que poderiam ter sido licitados e que foi indicado pelo secretário adjunto de planejamento e desenvolvimento energético do MME, Moacir Carlos Bertol, é o terceiro bipolo do complexo de Teles Pires. Esse lote servirá para o escoamento da energia a ser gerada pelas UHEs Foz do Apiacás, São Manuel, Sinop e Colíder, além de reforçar os circuitos 1 e 2 dos sistema de transmissão da UHE Teles Pires.

Contudo, segundo o superintendente de concessões da Aneel, Ivo Nazareno, esse lote apresenta uma função alternativa ao sistema principal de escoamento que estará pronto ao final do ano. O terceiro circuito, explicou ele, seve para auxiliar nesse escoamento da geração, em grande parte, quando essas usinas estiverem com a capacidade máxima de geração. Se não houver essa linha, explicou ele, há outras alternativas, entre elas a mais extrema a de verter água caso o nível dos reservatórios mais elevados não possam ser utilizados em decorrência do gargalo de transmissão dessas usinas.

Nazareno disse ainda que o governo ainda deverá realizar mais dois leilões até o final do ano, um em outubro, já agendado para o dia 16, e outro para dezembro, que poderá ocorrer em dezembro ou ser realizado em janeiro de 2016. Ele disse não acreditar que esse terceiro circuito de Teles Pires seja leiloado de forma isolada como foram os linhões da UHE Belo Monte (PA, 11.233 MW).