28/08/2015

O mundo se volta para as fontes mais limpas

As mudanças climáticas e a dependência cada vez maior de energia estão levando países a abandonar o uso de combustíveis fósseis para gerar eletricidade, principalmente pelas consequências ambientais negativas.

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado no primeiro semestre, indica que, depois de dois anos de retração, os investimentos mundiais em energias renováveis (excluindo as grandes hidrelétricas) aumentaram 17% em 2014, passando para US$ 270 bilhões, montante quase sete vezes maior que o observado dez anos antes e US$ 13 bilhões a mais do que no início desta década.

Segundo o informe, as principais razões para esse aumento significativo foram a maior expansão de instalações solares na China e no Japão, assim como investimentos recordes em energia eólica marina (off-shore). Já a energia solar absorveu investimentos de US$ 149,6 bilhões, 25% a mais do que no ano anterior. A eólica captou US$ 99,5 bilhões, 11% a mais do que em 2013. As pequenas centrais hidrelétricas ao redor do mundo captaram apenas US$ 4,5 bilhões.

O Pnuma avalia que a energia limpa vem superando o status de “nicho de mercado” e já representa uma parcela significativa e crescente no fornecimento total de energia. Ainda segundo esse organismo da ONU, a forte e contínua queda dos custos em tecnologia – principalmente na área solar, mas também na eólica – permitiu esse salto. Não é a toa que a capacidade elétrica adicional no mundo utilizando novas fontes de energia renovável no ano passado tenha alcançado 103 GW, o equivalente à geração de todas as usinas nucleares dos Estados Unidos. Em síntese, isso quer dizer que essa parcela de produção mundial de energia emitiu 1,3 gigatoneladas de CO2 a menos na atmosfera.

No caso do Brasil, Roberto D’Araújo, diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), vê limites para o potencial hidrelétrico. Ele observa que, nas décadas de 1970/1980, os reservatórios construídos na região Amazônica armazenavam volume de água equivalente a pelo menos dois anos de consumo de energia. Hoje, afirma, não passam de cinco meses. “É impossível fazer mais reservatórios de água na Amazônia”, opina D’Araújo. “Se quisermos aumentar em mais um mês o equivalente do consumo de energia, teríamos de ampliar em 20% a capacidade dos reservatórios. Isso significa um Rio São Francisco inteiro, mas não existe mais lugar para isso.”

Até o início de agosto, o potencial hidráulico do país era de 90,3 GW, carga que corresponde a quase 62% da matriz de energia elétrica (146,3 GW). Essa capacidade de geração é quase nove vezes maior do que é produzido com biomassa, 13 vezes a mais do que é gerado com a força dos ventos e 45 vezes superior ao que é produzido com energia solar. “Um relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que, se o Brasil usasse menos de 0,03% do território nacional, ou 2.400 Km2, com painéis fotovoltaicos, poderia ter suprido o equivalente a todo o consumo do Sistema Interligado Nacional em 2011”, lembra Nahur.

Outra aposta brasileira é na força dos ventos. As pouco mais de 280 usinas eólicas em operação geram hoje 7,07 GW, que correspondem a 5% de tudo que é gerado no país. Essa potência energética, que já permitiu uma redução de 12,5 milhões de toneladas ao ano de CO2, é significativamente superior aos pouco mais de 27 MW que eram gerados em 2005. Até o final do ano, a geração eólica pode chegar a 10 GW, uma usina de Belo Monte.