13/08/2015

São Paulo deve diversificar sua matriz energética, afirma subsecretário de Energia de SP

“O estado de São Paulo produz apenas 51,6% de toda a energia que consome, e trazer energia do Sul ou do Nordeste do Brasil implica riscos e altos custos. Por isso, é necessário diversificar nossa matriz e ampliar aquelas de energias renováveis, uma vez que não podemos contar apenas com o planejamento do governo federal para o setor”.

A afirmação de Milton Flávio Marques, subsecretário de Energias Renováveis da Secretaria de Energia do Estado de São Paulo, expressa bem a estratégia do órgão e também reflete os desafios a serem enfrentados. Ele e outros palestrantes, especialistas no mercado de energia, estiveram presentes em painéis apresentados durante o Connected Smart Cities, evento que ocorreu no início de agosto, na capital paulista.

Marques disse ainda que o objetivo é também valorizar o gás natural como alternativa energética, pois, de acordo com ele, apesar da busca ser por fontes renováveis – que geram quatro vezes mais empregos que as convencionais, como afirmou –, é necessário ter uma matriz constante, porém mais limpa que as termoelétricas a diesel.

“Ao contrário do que acontece na maior parte do Brasil, as emissões de carbono do estado de São Paulo não derivam majoritariamente de queimadas – uma vez que o governo já atua junto aos produtores de cana para minimizá-las –, mas, sim, do transporte e da produção industrial, fatores bem mais complicados para a gestão. Esse cenário nos leva a pensar no gás como alternativa mais limpa em relação ao diesel nas usinas para cumprir a redução de emissões pelo estado”, completou.

Diversidade e diálogo são as estratégias

Para o subsecretário, a busca é pela qualidade, quantidade e preço adequado no suprimento de energia, através de articulações com os governos municipal e federal. “É preciso muita conversa para ajustar os detalhes, em especial dos leilões e de regulação”, complementa, referindo-se a conversas com Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), MME (Ministério de Minas e Energia), ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e outros.

Ele apresentou dados, indicando que São Paulo deve explorar uma diversidade de fontes renováveis, uma vez que o nordeste do estado recebe excelente insolação para a geração solar fotovoltaica e, com um todo, conta com bons ventos (velocidades acima de 7m/s). “A geração eólica não é competitiva aqui se comparada aos ventos do Sul ou Nordeste, mas é muito competitiva se pensada para nosso mercado regional. Estudos indicam que seria mais barato utilizar o vento do estado do que importar energia”.

Biomassa também é uma fonte importante pela grande produção de cana em São Paulo e, segundo Marques, a única dificuldade mais objetiva que se encontra é a distância das usinas dos pontos de inserção de energia na rede. “A maioria delas está a 40 km ou mais de distância do primeiro ponto de inserção, o que encarece essa energia”, constata.

Incentivos e desafios

Como ações objetivas para o incentivo do crescimento energético do estado, Marques lembra do PPE (Plano Paulista de Energia), elaborado com mais de 70 entidades e que vislumbra ações para a área até 2020; os sistemas fotovoltaicos instalados no Palácio do Governo, no parque Cândido Portinari e no Porto Primavera; diversas parcerias público privadas e convênios; e redução de carga e incentivos tributários para investimento nas fontes renováveis, em especial para a importação de componentes que não sejam produzidos no Brasil para os projetos de geração.

“Os próximos desafios que se apresentam para o desenvolvimento do mercado de energia em São Paulo”, ressalta o subsecretário, “passam pela qualificação da mão de obra para instalação e manutenção dos sistemas de energia alternativa; adequação dos equipamentos e conexão ao SIN (Sistema Interligado Nacional); maior agilidade na aprovação dos licenciamentos ambientais para liberação das linhas de financiamento; e incentivos a leilões regionais e de submercados, separados por fonte”.