25/09/2015

Chuvas devem ficar próximo à média no Sudeste em outubro, aponta NOS

Situação no Nordeste é a mais crítica com a possibilidade de secar o reservatório da UHE Sobradinho que está com menos de 10% de capacidade

As chuvas do período úmido no Sudeste poderão atrasar. Essa é uma das perspectivas apresentadas no primeiro dia da reunião mensal do Programa Mensal de Operação para o mês de outubro, realizada no Rio de Janeiro, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. O início do período de chuvas, que ocorre normalmente entre 10 e 15 de outubro poderá atrasar, mas no final do mês a projeção é de que as vazões nessa, que é a maior região em termos de armazenamento de água do país, fique em 98% da média de longo termo com 20.691 MW médios.

A projeção inicial para o final do mês de outubro no Sul do país é de energia natural afluente na casa de 108% da MLT. No Norte é esperada ENA de 67% da média e o problema maior está no Nordeste do país, cuja previsão vazões é de apenas 42% da média histórica de 85 anos com 1.429 MW médios.
Essa última projeção traz uma preocupação maior ainda ao operador já que as temperaturas começaram a subir, o que aumenta naturalmente a demanda por energia. Desde o início de setembro até ontem, reportou o ONS foi registrado um aumento da carga no país de 9 mil MW médios. No mês de outubro, a perspectiva é de que se utilize um volume mais elevado dos reservatórios. O cenário é desfavorável na bacia do São Francisco, pois na UHE Sobradinho o reservatório está abaixo de 10% e se houver problema maior com as chuvas esse reservatório poderá até mesmo secar.

A nova projeção de carga do ONS para o ano de 2015 ante 2014 é de queda de 1,8% no período de janeiro a novembro. Apenas quanto ao mês de outubro a perspectiva é de queda de demanda na casa de 3%. No mês de setembro a queda reportada na reunião do PMO é de 2,5% quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

Em termos climáticos, o último trimestre do ano deverá ser marcado pelo retorno das precipitações no SE/CO, mesmo com aquela perspectiva de atraso. Uma das barreiras tem sido o El Niño que se configurou de intensidade forte, com as águas do Oceano Pacífico ficando até 3 graus acima da média em algumas regiões. Esse fenômeno é o terceiro mais intenso de toda a série histórica. Contudo, já é possível se verificar uma formação de canal de umidade vinda da Amazônia na direção do SE/CO. Esse tipo de configuração precisará ficar mais constante a partir de agora e seu alinhamento potencializa a entrada das frentes frias que neste mês foram bloqueadas por um sistema de alta pressão que impediu seu deslocamento para além da região sul.

No mês de setembro foram registradas chuvas na cabeceira de Três Marias e as vazões do Sudeste aumentaram durante o mês, mantendo o nível dos reservatórios nessa região e levando a um menor deplecionamento dos lagos para o período. Em termos de operação do sistema o destaque é a usina Angra 2 que ficará desligada até 25 de outubro em decorrência de manutenção. Aliás, esse tema deixou a reunião com clima tenso esta tarde, isso porque a Cemig queria parar a operação de algumas usinas, mas não teve seu pedido atendido.

O coordenador do PMO relatou para os presentes que o ONS considera atender a carga pesada somente do NE com o despacho térmico. Isso poderá levar a um novo descolamento do PLD na região. Essa medida, se confirmada, representará uma antecipação já que isso era esperado apenas para 2016.

Outros destaques deste primeiro dia foram as eólicas no NE que bateram novo recorde de geração diária com 3,4 GW médios, um fator de capacidade perto de 80%. Além disso, o ONS reportou que as linhas de transmissão do Madeira sofreram novo atraso e somente serão consideradas em 2016, a expectativa era de contar com esses ativos este ano. Sendo assim, deixarão de escoar cerca de 1,3 GW para o SE/CO.