30/09/2015

Redes inteligentes permitem controlar e reduzir consumo de energia elétrica

Você certamente foi surpreendido neste ano com o aumento no valor da sua conta de luz. Imagine que, em um futuro não muito distante, será possível saber, antes da conta chegar, quanto você pagará à sua concessionária na data do vencimento.

Mais do que isso: além de conhecer com antecedência o quanto gastou, você poderá gerenciar o seu consumo. Se estiver gastando muito, perceberá antes, e poderá administrar melhor o uso da eletricidade até o final do mês. Saberá também qual eletrodoméstico está consumindo mais.

A tecnologia que possibilitará um controle maior do consumo de energia já existe e é utilizada em parte de grandes clientes industriais e comerciais. Conhecido como “smart grid”, ou “redes inteligentes”, esse sistema em breve estará disponível também para residências.

A chave para o seu funcionamento são os medidores eletrônicos inteligentes, mais modernos do que os utilizados hoje. Além de possibilitar o gerenciamento do consumo, na internet ou aplicativo, esses aparelhos viabilizarão medição remota do consumo.

“Hoje, uma pessoa precisa ligar para avisar que está sem fornecimento de energia. Com os sistemas inteligentes, isso não será mais preciso”, diz Sidney Simonaggio, vice-presidente de Operações da AES Eletropaulo. Outra vantagem do sistema, diz ele, é a redução de perdas, pois será mais fácil detectar fraudes.

A partir do próximo ano, a empresa começará a trocar todos os medidores dos 66 mil usuários de Barueri (SP). O projeto piloto custará cerca de R$ 72 milhões.

A CPFL também pretende trocar os medidores em 2 milhões de clientes a partir de 2017, segundo o diretor de engenharia Paulo Bombassaro. A empresa deve investir R$ 700 milhões na mudança.

GERAÇÃO

O objetivo principal dos sistemas inteligentes de energia é tornar o consumo mais eficiente e evitar desperdícios. “Com essa inteligência, a forma de usar a energia seria diferente e os reservatórios, mais preservados, reduzindo o impacto da crise hídrica”, afirma Sergio Jacobsen, gerente-geral da área de “smart grids” da Siemens.

A inteligência do sistema começa nas usinas. Hoje, a operação de grandes hidrelétricas já é controlada remotamente. “Todos os equipamentos dentro de uma usina são acionados de uma sala fechada, com poucas pessoas”, diz José Nardi, gerente da área de geração da ABB.

No caso da AES Tietê, um avião inteligente de pequeno porte sobrevoa os reservatórios sem o auxílio do piloto. O equipamento, chamado Vant, fotografa as margens.

Para inspecionar os equipamentos das usinas, a empresa utiliza um robô subaquático. Por meio de câmeras de vídeo e sensores operados por controle remoto, ele identifica e evita problemas nas turbinas.

DISTRIBUIÇÃO

Produzida a energia, ela segue para as redes de transmissão e distribuição, onde o controle do fluxo é fundamental para evitar perdas e garantir o fornecimento.

Diversas soluções digitais permitem o monitoramento do caminho da energia, da usina às casas. Nas distribuidoras, softwares inteligentes controlam toda a operação da rede. O objetivo é identificar, o mais rápido
possível, problemas que possam afetar o fornecimento, como chuvas ou queda de árvores.

“O objetivo é ter o mínimo possível de interrupção. Se houver, os sistemas devem garantir que se restabeleça da forma mais rápida possível”, diz Ricardo Van Erven, diretor geral da GE Digital Energy para a América Latina.

Em caso de falhas, as redes inteligentes vão identificá-las, recalcular uma rota alternativa para que a energia chegue ao destino e redirecioná-la remotamente. “É como um GPS”, compara Erven.

“Uma interrupção, que demoraria uma hora para ser resolvida, pode ser sanada em 3 minutos”, afirma Bombassaro, da CPFL.