27/10/2015

Grandes grupos garantirão arrecadação em leilão de hidrelétricas

Concessões de importantes hidrelétricas deverão garantir boa parte dos R$ 17 bilhões que o governo federal pretende arrecadar com a cobrança de bônus de outorga no leilão previsto para o dia 6 de novembro, com o certame atraindo grandes grupos nacionais e internacionais para ativos bilionários, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

“Apesar do momento econômico que o país vive, temos grandes grupos capacitados a entrar para não termos um leilão vazio… a expectativa do mercado é de um deságio baixo, um volume pequeno de concorrentes, mas grupos sólidos… o momento não tem espaço para aventureiros”, apontou a diretora da KPMG, Franceli Jodas.

O bônus de outorga a ser pago pelo vencedor foi previamente estabelecido pelo governo federal, que precisa de recursos extras para fechar suas contas, enquanto o ganhador do certame será aquele que se comprometer a receber a menor receita em relação ao preço teto definido.

No leilão serão disputadas 29 usinas, mas o grande interesse dos investidores é nas hidrelétricas Ilha Solteira e Jupiá, cuja concessão pertencia à Cesp, e Três Marias, que era da Cemig —que juntas somam 15 bilhões de reais em outorgas, ou quase 90 por cento da arrecadação esperada.

A outorga de Ilha Solteira, a quarta maior hidrelétrica do Brasil, foi estabelecida em R$ 9,1 bilhões.

Segundo Joceli, essas três usinas —situadas no Sudeste, a região mais rica do país— já garantirão o sucesso do certame, considerando a questão arrecadatória.

Os concessionários desses ativos já afirmaram que querem manter as concessões. A Cesp, por exemplo, disse que buscará parceiros para disputar o certame, enquanto a Cemig disse que buscaria recursos no mercado para também entrar na concorrência.

“Oportunidades de entrada em hidrelétricas nesta escala são muito limitadas atualmente em todo o mundo”, concordou o diretor da consultoria PSR, Luiz Barroso, que também espera disputa pelos maiores ativos do certame.

Ele disse, no entanto, esperar menor apetite de “novos entrantes” e apostou que apenas elétricas que já estão estabelecidas no país há algum tempo devem se arriscar na concorrência.

“O câmbio torna os ativos baratos em dólares, mas o cenário político, econômico e institucional do Brasil assusta aqueles que ainda não estão no país”, afirmou, ponderando sobre uma das apostas do governo para garantir a arrecadação —a liberação da atuação de estrangeiros.

O certame ofertará hidrelétricas distribuídas em cinco lotes, com algumas delas em sublotes, o que significa que os investidores também poderão apresentar propostas individuais para estas usinas ou grupos de empreendimentos.

Joceli, da KPMG, admitiu que alguns empreendimentos menores poderão não atrair investidores, mas acredita que isso não prejudicará o sucesso do leilão em termos de arrecadação de recursos.

Outras empresas que já demonstraram interesse nos ativos incluem também atuais concessionárias de usinas como Copel, Celesc e Furnas, da Eletrobras, além de estrangeiras como a italiana Enel, a canadense Brookfield e as chinesas Three Gorges e State Grid.

Grupos nacionais como CPFL e Energisa também estão no páreo, além do braço da norte-americana AES no país, AES Tietê.

Os vencedores poderão explorar as usinas comercialmente por 30 anos, com 30 por cento da produção podendo ser vendida no mercado livre de eletricidade a partir de 2017. O restante será negociado com as distribuidoras no leilão.