15/10/2015

Horário de verão deveria vir acompanhado de campanha sobre consumo racional

Professor do CTC/PUC-Rio pede que governo esclareça população sobre situação real do sistema para adoção de consumo consciente. Horário de verão começa dia 17

Começando no próximo sábado, 17 de outubro, o horário de verão de 2015 chega em um momento de tensão no sistema. Com os reservatórios do Nordeste operando abaixo de 12% e os do Sudeste/ Centro-Oeste enfrentando um dos mais severos regimes hidrológicos, adiantar os relógios vai trazer um alívio ao sistema em momentos de alto consumo e um maior aproveitamento da luz natural. Para o professor Reinaldo Castro Souza, do Departamento de Engenharia Elétrica do Centro Técnico Científico da PUC-Rio, o ideal seria que acompanhando o horário de verão viesse um alerta do governo sobre a situação difícil dos reservatórios e o pedido para um uso racional de energia. “A qualidade da energia vai depender do que vier de água nos reservatórios do Sudeste e Nordeste. O horário de verão é uma gota no oceano em termos de redução no consumo”, afirma.

Ele conta que devido ao atual cenário, todas as iniciativas se tornam válidas, já que os riscos de eventuais problemas ficam minimizados. O professor elege o aparelho de ar condicionado como vilão do consumo no verão. Segundo ele, um aparelho de 10.000 BTUs ligado durante oito horas consome cerca de 180 kW/h. “O horário de verão poderia ser um mote para pedir a população para fazer o uso racional e eficiência energética”, avisa.

A Cemig (MG) espera que o horário de verão traga uma redução na demanda máxima de 4%, o que equivale a 332 MW no estado. A potência corresponde a demanda de pico das cidades de Juiz de Fora e Sete Lagoas, consideradas de médio porte. No consumo de energia, deverá ser alcançado no estado uma economia de energia de até 0,5%, que representa cerca de 35 MW médios ou durante todo o período, de 106.000 MWh, o bastante para abastecer a capital Belo Horizonte por nove dias.

O professor também teme que os possíveis ganhos anunciados com o horário passem para a sociedade um sinal equivocado de que a situação estaria melhorando, o que não seria real. “A bandeira vermelha não vai embora”, revela Souza. Em 2014, a redução da demanda na ponta registrou 2.035 MW no subsistema Sudeste/Centro-Oeste e 645 MW no subsistema Sul, correspondendo a uma redução total de 4,5%. Já a redução do consumo de energia global, que leva em conta todas as horas do dia, chegou a cerca de 200 MW médios no subsistema SE/CO e 65 MW médios no subsistema Sul. A redução total de 265 MW médios foi igual a um percentual estimado de 0,5%, nos dois subsistemas.

Com o Nordeste em situação pior no sistema, a inclusão dos estados da região no horário de verão não se justificaria. Segundo Souza, a região está muito próxima da linha do Equador e não possui tanta luz natural quanto os estados das outras regiões. “[O horário de verão] Não ia adiantar nada, a luz natural dura menos lá”, aponta. Aumentar a vigência do horário para um maior ganho também é outra possibilidade rechaçada pelo professor da PUC-Rio, já que com o início do fim do verão, em fevereiro, a quantidade de luz natural também começa a diminuir.