02/10/2015

Linha de crédito da Secretaria pode ser acessada para produtor utilizar energia solar no campo

Opção sustentável e renovável para produtores rurais que têm suas propriedades longe das redes de transmissão e distribuição de energia elétrica, a tecnologia solar fotovoltaica foi tema de audiência entre o secretário Arnaldo Jardim e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A entidade propôs que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo inclua em seus financiamentos ao homem do campo, concedidos por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), também a aquisição de equipamentos fotovoltaicos para serem usados principalmente na irrigação. A boa notícia é que isso já é possível.

O pedido foi feito por Rodrigo Lopes Sauaia, presidente da Absolar, e Ronaldo Koloszuk, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Derex/Fiesp), que enxergam no sol o principal fornecedor de energia para o homem do campo não atendido pela rede elétrica e atualmente dependente, em sua maioria, de geradores a diesel. O objetivo é substituir os equipamentos movidos a combustível fóssil por uma fonte limpa, sustentável e renovável.

Rodrigo destacou que um dos encontros entre energia solar e agricultura se dá justamente na parte da irrigação, uma vez que a tecnologia fotovoltaica pode ser usada como força motriz. “Gerando energia para bombas, motores que fazem irrigação através de pivô ou através de gotejamento, que também fazem bombeamento de água para uso e para armazenamento na área rural”, destacou o presidente da Absolar.

Secretário executivo do Feap, Fernando Penteado explica que essa aquisição pode ser feita pelas linhas de crédito já existentes, não é necessária a abertura de uma nova via de financiamento. “Se o equipamento de energia solar a ser adquirido for usado na produção agropecuária da propriedade não há impedimento”, explicou Fernando. Mais informações sobre o enquadramento nas regras do Fundo podem ser obtidas nos Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR) ou Casas da Agricultura da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria.

Além da independência da rede elétrica e economia com conta de luz, outro ponto positivo para o produtor rural que utilizar a energia solar é agregar valor a sua produção, tornando-a amiga do meio ambiente. O Governo do Estado de São Paulo já vem dando o exemplo e utiliza em sua sede, o Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, energia do sol para movimentar sua estrutura administrativa.

Para Arnaldo Jardim, o uso dessa tecnologia vai de encontro a uma das principais recomendações do governador Geraldo Alckmin para a Agricultura, unir produção rural e conservação ambiental. “A energia solar é limpa, sustentável, amiga do meio ambiente e barata. Isso significa para o homem do campo economia não apenas de dinheiro, mas também de recursos naturais, demonstrando que agricultor é o grande amigo da natureza”, destacou o secretário.

Economia

O ganho ambiental é um dos maiores atrativos dessa modalidade de energia, que até pouco tempo tinha no custo de seus equipamentos o principal obstáculo. Mas Ronaldo Koloszuk explica que os preços vêm caindo porque há cada vez mais concorrência na produção. “Existe todo um parque produtivo que está chegando a São Paulo”, lembrou o representante da Fiesp, completando que “uma fábrica já está em operação em Valinhos produzindo painéis solares. E existem várias outras fábricas multinacionais chegando ao Brasil para produzir aqui”.

A energia fotovoltaica tem ainda pontos positivos como a durabilidade, com sistemas operando praticamente sem serem assistidos, sem necessidade de manutenção, funcionando por 20, 25 anos – gerando energia de forma limpa, silenciosa, sustentável, renovável e mais barata. Isso porque o payback, o retorno do investimento, atualmente varia de seis a 12 anos para clientes residenciais das áreas urbanas.

Isso quer dizer que em no máximo 12 anos o investimento já foi pago com a economia com contas de luz. O presidente da Absolar chama atenção para o fato de que esse retorno pode sofrer uma pequena alteração em imóveis rurais. “Para clientes da área rural é preciso olhar o valor da tarifa de energia elétrica, que é diferenciada”, apontou.

Os endereços da Cati para o homem do campo acessar o Feap podem ser conferidos clicando aqui.