29/10/2015

ONS quer evitar problemas técnicos na conexão de usinas solares

Técnicos explicariam aspectos cruciais para conexão e operação adequada

O Operador Nacional do Sistema Elétrico pretende auxiliar os empreendedores solares de modo que se consiga antes do início de operação de usinas em construção, equacionar eventuais problemas de conexão ao sistema que as usinas possam vir a enfrentar. O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, quer realizar um workshop que aborde temas técnicos da operação. “Queremos tratar isso com antecedência para que não haja surpresa”, avisa Chipp, que participou nesta quarta-feira, 27 de outubro, do evento de lançamento do Brasil Solar Power, no Rio de Janeiro (RJ).

Ele lembra que o ONS possui técnicos que participam de um grupo de estudos de uma associação de operadores de 16 países para troca de experiências técnicas. O grupo debate a dificuldade na conexão das usinas solares e a integração da fonte intermitente junto ao sistema. A preocupação é com aspectos como o dimensionamento da reserva de potência e qual seria o back up para que a frequência não caia quando o sol for embora. “Nos Estados Unidos houve um pico de 13.000 MW entre 14h e 15h em uma região e essa rampa trouxe um decréscimo de frequência, porque não houve geração que a tomasse nessa velocidade. É com isso que estamos preocupados”, avisa.

Segundo o executivo, locais com conexões próximas a sistemas robustos seriam os locais preferenciais para receber as usinas solares fotovoltaicas. Para ele, isso eliminaria problemas que a falta de sincronismo com o sistema poderiam trazer. “Ir para um sistema de baixa potência de curto e ela não agrega inércia, a estabilidade dinâmica e o controle de tensão e frequência ficariam mais difíceis”, revela. Embora ressalte que o determinante para a escolha do local da usina seja a intensidade solar, ele vê os estados de Minas Gerais e alguns dos Nordeste como bons, com bons subsistemas de transmissão.

O diretor do ONS ressalta a importância do tema conexão, já que custos do empreendedor podem acabar virando custos do sistema, pagos pelo consumidor. “Se amanhã tiver que instalar um compensador síncrono para controlar a tensão, o consumidor é que paga. O regulador tem que pensar muito nesse tipo de conexão”, frisa.