12/11/2015

Brasil ganha permissão para explorar reserva de minério no fundo do mar

O Brasil terá 15 anos para explorar com exclusividade uma reserva mineral no fundo do oceano Atlântico, em águas internacionais, onde espera-se existir grandes quantidades de cobalto, níquel e manganês –minerais usados na produção de baterias e alta tecnologia.

A autorização para explorar a área chamada Alto do Rio Grande, localizada a 1.500 quilômetros do litoral do Rio de Janeiro, foi assinada nesta segunda-feira (9) com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISBA), um órgão ligado à ONU.

Por estar em águas internacionais, essa cordilheira submersa é considerada “patrimônio comum da humanidade”. No passado, embarcações francesas e russas teriam sondado o local. Agora, o Brasil tem exclusividade na exploração da região.

Essa formação rochosa ocupa uma área de 3.000 quilômetros quadrados –o equivalente a duas vezes a cidade de São Paulo. Fica a uma profundidade que varia de 800 a 4.000 metros.

 

Uma teoria é que a área seria continuidade da plataforma continental brasileira, submersa com a separação dos continentes sul-americano e africano, há cerca de 130 milhões de anos.

 

A região vem sendo pesquisada há cinco anos pela CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia. Já foram gastos R$ 60 milhões nas pesquisas do Atlântico Sul nesse período.

Os geólogos fazem em média uma expedição por ano ao Alto do Rio Grande e ficam de 30 a 40 dias embarcados, mapeando o fundo do mar e recolhendo amostras de rochas. Já foram retiradas 18 toneladas de amostras usando robôs especializados.

ACORDO

O contrato de exploração de minerais em águas internacionais foi assinado até hoje com poucos países, como Rússia, Noruega e França. É o primeiro contrato com um país do Hemisfério Sul, segundo informou a CPRM.

Nos primeiros cinco anos, o Brasil terá que investir US$ 11 milhões (R$ 41 milhões) para estudar a biodiversidade local –que pode ter espécies ainda desconhecidas. Serão pelo menos duas expedições para a coleta de dados e de materiais.

Nos anos seguintes, a área será dividida em 150 blocos de 20 quilômetros quadrados cada. Com base em mais mapeamentos e retirada de rochas, serão definidos os blocos com potencial para a exploração comercial.

“No fim do contrato vamos dizer para a ONU o que é comercialmente viável. E vamos buscar parceiros privados para produzir e fazer dinheiro com isso”, disse Roberto Ventura, diretor de Geologia e Recursos Minerais da CRPM.

A mineração em águas profundas, com exceção da atividade de petróleo, é ainda incipiente no mundo e pouco viável economicamente.

Em uma das poucas experiências em curso, a canadense Nautilius explora cobre em Papua-Nova Guiné. Não é uma atividade em águas internacionais e exigiu a criação de uma tecnologia específica para a região.

Para o governo brasileiro, contudo, a iniciativa teria potencial para estimular o desenvolvimento científico e a criação de um parque tecnológico capaz de desenvolver novas tecnologias e equipamentos de ponta.