27/11/2015

Distribuidoras avaliam impacto financeiro do custo da energia de usinas leiloadas

Valor médio das cotas dessas usinas vai passar de R$ 37,00/MWh para R$ 124,88/MWh

Os distribuidores de energia acreditam que a repactuação do risco de geração das usinas hidrelétricas será neutra para as empresas e os consumidores. Eles já se preparam, porém, para os potenciais impactos do leilão de concessões existentes sobre os custos financeiros que terão de carregar nos 12 meses que separam os reajustes tarifários anuais das empresas.

O certame realizado na última quarta-feira, 25 de novembro, elevou o preço médio da energia das 29 hidrelétricas que estavam em sistema de cotas de R$ 37,00/MWh para R$ 124,88, em consequência da inclusão no preço do pagamento do bônus de outorga. “O resultado do leilão vai ter impacto porque as distribuidoras terão que aguardar o próximo reajuste tarifário para repassar às tarifas esse custo adicional”, disse o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, Nelson Leite, durante evento de comemoração dos 40 anos da entidade.

O executivo destacou a diferença significativa entre os valores que seriam pagos antes e após o leilão e afirmou que “as distribuidoras que tiverem um descasamento de caixa muito forte terão que pedir Revisão Tarifária Extraordinária se não aguentarem levar essa CVA (o custo financeiro resultante da variação de itens como compra de energia ao longo do ano) até a data do reajuste tarifário”. Em 2015, parte do descasamento do fluxo de caixa das empresas foi coberta por uma RTE que aumentou as tarifas para o consumidor em torno de 23% na média.

A Abradee não tem um cálculo que permita saber quais distribuidoras serão mais afetadas e em que intensidade. Leite destaca que quem tiver no portfolio de contratos um montante de energia significativa das usinas será afetado na proporção da quantidade de energia que vai receber das cotas dos empreendimentos. Ele usou o exemplo de Jupiá e Ilha Solteira, as duas maiores hidrelétricas do certame, para demonstrar que se alguma distribuidora tiver um montante muito concentrado de energia dessas usinas, o impacto será maior.
Outra questão é o tempo que cada empresa vai levar até receber de volta na tarifa o que pagou a mais pela energia das usinas. “Se você tiver um reajuste em fevereiro e março, o tempo é curto. Mas quem tiver no fim do ano, como a Light, tem um impacto elevado e a Aneel vai ter que dar um tratamento específico”, defendeu o presidente da Abradee.

O presidente da distribuidora fluminense, Paulo Roberto Pinto, explicou que o impacto, no caso da Light, vai ocorrer porque a empresa recebeu uma quantidade menor de cotas de energia do que o necessário para a cobertura dos contratos de energia existente que haviam expirado na época da publicação da Medida Provisória 579 em 2012. “Quando eu entreguei os contratos para essa energia voltar por cotas, vieram menos cotas e eu fiquei com exposição involuntária. Então, esse leilão de ontem vai cobrir essa parcela das minhas cotas que faltava”, disse nesta quinta-feira, 26.
O executivo acrescentou que ainda vai ter que fazer cálculos para saber de que forma a empresa será afetada. Ele lembrou que a Light foi autorizada a aplicar agora em novembro o reajuste tarifário, quando recebeu os custos financeiros que estavam acumulados nos últimos 12 meses.