09/11/2015

Emae quer ser indutora de investimentos privados em geração

Depois de muitos anos sem ampliar seu parque gerador, a Emae demonstra estar decidida a voltar a investir no setor elétrico. Segundo o diretor presidente da companhia, Luiz Carlos Ciocchi, a chamada pública para busca de parceiros em empreendimentos de geração a gás natural foi um sucesso: atraiu 15 empresas e 21 projetos, somando mais de 10 GW. “O resultado foi muito positivo”, afirmou o executivo, destacando que o objetivo é viabilizar 1,5 GW em novas usinas.

O executivo esteve reunido com a Aneel, ONS, EPE e o MME para discutir a melhor alocação dessa energia na matriz elétrica brasileira, podendo ser concentrada em única usina ou em vários empreendimentos de menor porte. “Conversamos com essas instâncias para saber qual seria a melhor distribuição dessa energia. Qual tipo de arquitetura que esse site poderia melhor atender o sistema interligado”, detalhou.

Ciochi, que está há 6 meses à frente a Emae, explicou que o planejamento prevê utilizar a rede e o gás natural da Comgás para abastecer as térmicas. O executivo informou que a rede da Comgás tem capacidade instalada para 5 milhões de metros cúbicos de gás por dia, mas que a companhia atualmente dispõe de apenas de parte do insumo para atender 1,5GW. “Mas temos parceiros de primeira hora com todo o interesse de buscar gás para essa questão”, garantiu o executivo, destacando que alguns projetos foram apresentados já com uma solução própria para o fornecimento do combustível.

Até o final de novembro, o processo da chamada pública será concluído. A estratégia é formar parcerias com empresas privadas, com a Emae sendo minoritária nos negócios. “A estratégia é deixar de ser aquele operador tradicional – de manutenção, graxa, óleo – para ser um desenvolvedor de oportunidades do negócio. Criar oportunidades para que o setor privado desenvolva projetos junto com a gente”, disse Ciochi à Agência CanalEnergia, após participar do Seminário Brasileiro de Armazenamento e Qualidade de Energia, em São Paulo, na última quinta-feira, 5 de novembro.

A chamada pública Nº 01/2015 foi lançada em 8 de julho e tem como objetivo buscar parceiros para expansão da geração de energia pela Emae a partir de fonte termelétrica a gás natural em áreas pertencentes à empresa. A Empresa Metropolitana de Águas e Energia é uma empresa controlada pelo governo do Estado de São Paulo. Atualmente, opera as hidrelétricas Henry Borden (889MW), Porto Góes (24,8MW) e Rasgão (22MW), totalizando 935 MW de capacidade instalada.