10/11/2015

Etanol perde vantagem para gasolina em São Paulo

Desde abril de 2014 mais “amigável” ao bolso do motorista de São Paulo, Estado que detém o maior consumo de combustível do país, o etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, perdeu na semana passada a vantagem econômica para seu principal concorrente, a gasolina.

Os preços do etanol já vinham registrando algum aumento no mês de setembro, mas foi em outubro, com o reajuste da gasolina nas refinarias feito pela Petrobras, que a valorização se acentuou. Pesou nessa equação a aquecida demanda pelo produto no mercado interno e uma percepção de que a oferta não seria suficiente para atender aos níveis atuais da demanda, na casa de 1,5 bilhão de litros por mês.

No fim das contas, desde setembro, o hidratado acumula alta de 43% na usina em São Paulo, conforme referência do indicador Cepea/Esalq. No mesmo intervalo, o preço médio do biocombustível nos postos do Estado subiu 24%, do patamar de R$ 1,933 por litro para R$ 2,403 o litro, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Como a gasolina subiu menos no período – 9,5%, de R$ 3,01 para R$ 3,397 o litro – o etanol perdeu a vantagem econômica que passa a existir quando seu preço equivale a menos de 70% do concorrente. Em setembro, essa paridade estava em 62%. Na semana encerrada no dia 7 deste mês, essa relação foi a 70,7%.

E os preços não pararam de subir na usina. Ontem, segunda-feira, abriram em nova alta no mercado, frente à cotação de sexta-feira. Conforme dados da trading Bioagência, ontem, o litro do hidratado já estava sendo negociado na usina paulista a R$ 2 o litro, uma valorização de 3,6% frente aos preços de R$ 1,93 o litro da semana passada.

“Não sabemos ainda se o aumento de preços terá prosseguimento. Vai depender da reação do consumidor”, explicou o diretor da Bioagência, Tarcilo Rodrigues. De qualquer forma, segundo ele, a R$ 2 o litro na usina, o etanol hidratado tem potencial para subir nos próximos dias nos postos para R$ 2,55, 6,25% de alta frente ao preço médio de R$ 2,403 registrado pela ANP na semana passada.

Apesar de emblemática, porque São Paulo é o principal consumidor de etanol do país, a perda de competitividade do biocombustível frente à gasolina vem ocorrendo em outros Estados. Em Minas Gerais, antes em 69%, essa relação atingiu na última semana o ponto de indiferença, de 70,2%. No Paraná, o preço médio do hidratado passou a equivaler nos postos 71,2% do preço médio da gasolina. O único Estado onde ainda é vantajoso ao motorista usar etanol hidratado é Mato Grosso, onde a relação com a gasolina está nos postos de combustíveis em 59%.