24/11/2015

Mercados emergentes atraem investimentos de US$ 126 bilhões em energia limpa

Nos 55 países em desenvolvimento avaliados pelo Climatescope foram adicionados 50,4 GW de renováveis

As nações em desenvolvimento ultrapassaram os países mais ricos do mundo em 2014, atraindo mais investimentos em energia limpa e expandindo mais do que nunca a geração de energia eólica, solar e outras fontes de energia renovável, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 23 de novembro. De acordo com o Índice Climatescope, desenvolvido pela Bloomberg New Energy Finance, os novos investimentos em renováveis atingiram o valor recorde de US$ 126 bilhões em 2014, alta de US$ 35,5 bilhões ou 39% a mais que em 2013.

Nos 55 países avaliados pelo Climatescope em mercados emergentes na África, Ásia, América Latina e Caribe, foram adicionados 50,4 GW de nova capacidade de energia renovável, registrando um aumento de 21% em relação ao ano anterior. Os resultados, revelou o índice, foram puxados pelo crescimento na China, que acrescentou 35 GW de capacidade de nova geração renovável, mais do que a energia limpa instalada nos Estados Unidos, Reino Unido e França juntos em 2014.

Ao mesmo tempo, os investimentos “Sul-Sul” – fundos aplicados nos países do Climatescope de bancos ou outras instituições financeiras baseadas nesses países – subiram para US$ 79 bilhões no ano passado em comparação aos US$ 53 bilhões do ano anterior.

Segundo o estudo, o declínio contínuo nos custos de energia limpa parece estar motivando o crescimento. Os custos associados à energia solar fotovoltaica têm caído 15% anualmente em todo o mundo. “A energia solar é particularmente competitiva nos mercados emergentes, os quais muitas vezes sofrem com preços muito elevados da geração de energia fóssil, ao mesmo tempo em que desfrutam de bons recursos solares”, apontou.

O estudo mostra ainda que o progresso em 2014 foi atingido apesar de baixas taxas de crescimento econômico em certos países pesquisados. O crescimento do produto interno bruto médio pelos países do Climatescope caiu para 5,7% em 2014, de 6,4% em 2013, com desaceleração mais evidente em países importantes como Brasil, África do Sul e China. Apesar do recuo, esses três países atraíram um total de US$ 103 bilhões em novos investimentos em energia limpa em 2014.