03/11/2015

Parceiros da Emae em térmicas serão definidos em novembro

Estado quer utilizar parte do gás que transita por São Paulo para abastecer as usinas

Serão definidos até o fim de novembro os parceiros da Emae para a construção de novas termelétricas a gás no estado de São Paulo, segundo o secretário de Energia, João Carlos Meirelles. A Emae recebeu 15 manifestações de interesse para a implantação dos projetos, com variação de potência instalada de 40 MW a 1.400 MW. A ideia é que até o final do ano as Sociedades de Propósito Específico tenham sido formadas e que já tenham definido como será vendida a energia das usinas, ou seja, se a energia vai para o mercado livre, cativo – através de leilões – ou para os dois ambientes de contratação.

O terreno da Emae, onde ficarão as usinas, tem capacidade para abrigar até seis térmicas de 250 MW cada. Meirelles conta que a capacidade total das usinas pode chegar a 1,5 GW, mas que a quantidade e a potência ainda serão definidas. Para abastecer as usinas, Meirelles pretende utilizar parte do gás natural que transita por São Paulo. Segundo ele, são 52 milhões de m³ por dia, sendo 30 milhões de m³ por dia vindos da Bolívia e o restante dos campos de Mexilhão e Merluza. “Desse total, as distribuidoras de São Paulo utilizam 17 milhões de m³/dia. Mandamos para o Sul do Brasil outros 12 milhões de m³/dia e para Minas Gerais cerca de 5 milhões de m³/dia. Então, temos uma disponibilidade de cerca de 18 milhões de m³/dia que estão transitando em São Paulo”, comentou o secretário em entrevista à Agência CanalEnergia.

Mas para utilizar esse gás, explicou ele, é preciso fazer um swap de comercialização do insumo. “A ANP nos disse que até o fim do ano deverá publicar a regulamentação do swap. Com isso, teremos a possibilidade de fazer um negócio de gás que possa suprir as necessidades”, contou o secretário, que esteve no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 29 de outubro, e se reuniu com o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp; com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim; e com o diretor da ANP, José Gutman, para discutir como será a entrada dessas térmicas no sistema.

Meirelles disse ainda que as usinas, caso seja decidido vender a energia para as distribuidoras, não conseguirão participar do próximo leilão A-5, que acontecerá em fevereiro de 2016. “Não há tempo hábil para isso. Teremos que cadastrar ainda as empresa na ANP e não vai dar tempo para esse leilão. Isso vai ficar mais para a frente”, comentou.

Ele defende que é imprescindível e urgente aumentar a segurança energética dos grandes centros de carga e a única maneira de fazer isso nos próximos dez anos é através de geração termelétrica a gás. “Tanto a EPE quanto o ONS estão sintonizadas conosco para a necessidade de energia termoelétrica a gás, que proporcionará segurança energética para a introdução definitiva das energias renováveis na matriz energética brasileira”, disse.

As áreas da Emae são consideradas estratégicas em função de sua localização. Além de estarem dentro do maior centro consumidor do país, os terrenos estão próximos aos pontos de conexão com linhas de transmissão elétrica em 88kV, 230kV e 345kV e ao gasoduto, facilitando o acesso a esse insumo. No local já se encontra instalada a UTE Piratininga e a UTE Fernando Gasparian, operadas pela Petrobras.