19/11/2015

Site monitora em tempo real emissões de CO2 do setor elétrico no Brasil

De 2011 a 2014, as emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico no Brasil cresceram 171%, enquanto a geração de energia subiu apenas 11%. A quantidade de gás carbônico (CO2) emitido por gigawatt de energia gerado passou de 32,26 para 133. Hoje o País – conhecido por ter uma matriz elétrica mais limpa, por conta da forte presença de hidrelétricas – está sujando sua geração de energia.

Dados como esses, na escala de anos, meses, semanas e dias, estão disponíveis a partir desta quinta-feira, 19, em uma nova ferramenta que monitora a geração e as emissões do setor no País. Trata-se de um subproduto do Seeg – sistema que estima desde 2013 as emissões anuais de gases de efeito estufa brasileiras. O levantamento, que traz dados totais e por setor, é feito paralelamente ao oficial do governo federal e tem oferecido essas informações de modo mais ágil.

Além dos dados anuais, agora também será possível acompanhar praticamente em tempo real como está se comportando o setor elétrico. A ferramenta entra no ar nesta quinta-feira junto com o novo relatório anual, que trará os dados de 2014. “Ter os dados anuais mostra a tendência e é muito importante. Mas aí as coisas já aconteceram. O que vemos no monitoramento em tempo real é que as decisões que são tomadas no dia a dia têm um tremendo impacto nas emissões. Isso acontece com o consumo de combustíveis, com a energia elétrica. Se mudar o preço do álcool ou da gasolina, por exemplo, muda a emissão. Então a gente queria capturar isso para poder fazer esse debate sobre as emissões e as decisões que a gente está tomando”, explica Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

O produto é o primeiro do que deve se tornar a série Seeg Monitor. “Começamos com o setor elétrico porque foi onde vimos que houve mais variação. Foi onde mais cresceram as emissões nos últimos quatro anos”, diz Azevedo. “E vemos que varia todo dia, toda semana, todo mês, com base nas decisões tomadas. Em três dias às vezes vemos uma variação de 15%”, complementa.

Crise hídrica. Ele se refere, por exemplo, à decisão de acionar mais as usinas termoelétricas, o que vem ocorrendo por conta da seca que atinge o País desde o ano passado. “Olhando para o monitor a gente consegue visualizar bem o que é a crise do setor elétrico”, comenta Larissa Rodrigues, da campanha de clima e energia do Greenpeace. A ONG colaborou com a elaboração da ferramenta, que foi capitaneada por técnicos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).

O levantamento mostra que entre 2011 e 2014, a geração de eletricidade por fontes renováveis (hidráulica incluída) diminuiu 6,8%, por conta da seca. Outras fontes renováveis, principalmente eólica, subiram 67,2% no período. Mas a produção em termoelétricas cresceu muito mais: 171,2% – número que bate com o aumento das emissões.

“Ficam claros no monitor a sazonalidade das fontes e também como elas se complementam. Toda vez que a linha das hidrelétricas cai, a da eólica sobe”, afirma Marcelo Cremer, do Iema. Há uma tendência no País, especialmente para o Nordeste, de que se chove, não venta, e quando está seco, venta mais.

No site é possível acessar diversas informações. Logo no início há um gráfico que mostra os dados de geração elétrica do dia anterior, dividida pelas principais fontes (hidráulica, eólica, térmica a combustível renovável, térmica nuclear, térmica a combustível fóssil e térmica a combustível não identificado). Também dá para ver a geração nas usinas térmicas subdividida por combustível (carvão, petróleo, gás natural). A informação por dia está disponível até 1.º de janeiro de 2009. Nos próximos dias devem ser acrescentadas as informações até 2006.

Ao lado está um gráfico que mostra a evolução total das emissões do setor e por fonte de energia, também por dia, mês ou ano. Os dados representam a energia que circula na rede nacional, o chamado SIN (Sistema Interligado Nacional). Fontes isoladas e a geração distribuída (por exemplo, com solar nos telhados das casas) ainda não são contadas.

Outra opção de visualização é por subsistema gerador de energia: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. E é possível fazer um zoom ainda maior na rede e olhar as emissões de cada usina do Brasil. O plano, para os próximos meses é oferecer mais informações, como outros poluentes emitidos e quanto de água está sendo consumido para o resfriamento de termoelétricas. A ideia é também traduzir como as escolhas do sistema nacional para a geração de energia refletem no valor da tarifa paga pelo consumidor.

Acesse o site www.monitoreletrico.seeg.eco.br