09/11/2015

Tractebel estuda participar de relicitação de usinas

Maior geradora privada do país, a Tractebel Energia estuda participar do leilão de hidrelétricas existentes cuja concessão não foi renovada, marcado para 25 de novembro. A companhia tem interesse nos empreendimentos de maior porte, como o perfil das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que somam quase 5 mil megawatts (MW) de capacidade e pertenciam à Cesp.

“Estamos olhando [o leilão]. Não vou falar que vamos ou não vamos, porque ainda não temos a definição final. Mas estamos olhando para isso”, disse o diretor-presidente da Tractebel, Manoel Zaroni, ao Valor.

Ele não detalhou quais das 29 usinas estão no alvo da empresa, mas admitiu que a companhia tem interesse por projetos de “um certo porte”, quando perguntado se as usinas de Jupiá e Ilha Solteira, estavam no foco da companhia.

Na mesma linha, outro grande grupo privado, a CPFL, também avalia participar da relicitação das 29 hidrelétricas, mas ainda não tomou nenhuma decisão sobre o assunto. Segundo o presidente da companhia, Wilson Ferreira Junior, a empresa foi procurada por outros agentes e considera apresentar uma proposta com parceiros no certame.

“É um investimento que tem de ser avaliado com cuidado, a companhia está atenta às oportunidades”, disse o executivo, em evento em São Paulo, na sexta-feira. “Ninguém toma decisão de investimento desse tamanho sem um estudo”, completou. Segundo ele, a regulamentação do risco hidrológico, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ajudará o leilão a ser bem-sucedido, mas é preciso que seja aprovada no Congresso a Medida Provisória 688, que dá suporte legal sobre o tema. Ferreira Junior espera que a MP seja aprovada até o dia 17.

Zaroni também disse ser importante que a MP seja convertida em lei antes do fim do prazo para as empresas aderirem à proposta da Aneel. “Se [a MP] tiver sido aprovada até a data de assinar [o acordo] e bater o martelo, será bem mais confortável. Para o sucesso do processo, seria necessário ser aprovada antes da data [de assinatura do acordo]”.

O diretor-presidente da Tractebel contou que a empresa ainda está avaliando a proposta da Aneel para a repactuação do risco hidrológico (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês).

“Estamos fazendo contas. Estamos vendo com mais viabilidade no ambiente regulado do que no livre”, afirmou. Ele também destacou que é preciso evitar que aqueles que aderirem a proposta e desistirem das liminares tenham que arcar com a conta daqueles que se mantiverem protegidos por medidas judiciais.

Sobre a queda de 35,4% do lucro da empresa no terceiro trimestre, em relação a igual período de 2014, totalizando R$ 347,6 milhões, Zaroni explicou que o resultado, reportado na sexta-feira, foi impactado pela estratégia de alocação de energia. Na prática, a companhia destinou um volume menor de sua garantia física para o terceiro trimestre deste ano, em comparação com igual período do ano passado.

Com relação ao leilão de energia de reserva, marcado para sexta-feira, a Tractebel pretende participar com um empreendimento de geração de energia solar, informou Zaroni.