22/12/2015

Artigo: São as águas de dezembro abrindo o verão

Estamos acostumados a ouvir todo ano a música Águas de Março, do inesquecível Tom Jobim, quando acaba o período de chuvas e começa o outono. Nessa época, olhamos para trás e lembramos alguns transtornos que temporais e ventanias trouxeram para a população paulista.

No último verão, o Estado de São Paulo sofreu com constantes interrupções no fornecimento de energia devido à queda de árvores na rede elétrica.

Os transtornos foram de toda ordem para consumidores residenciais e corporativos. Em alguns casos, a demora do tempo, além do aceitável, para o restabelecimento do fornecimento da energia causaram a perda de alimentos, produtos, vendas, aulas, entre outros.

Naquele momento, exigimos uma resposta objetiva e contundente das empresas concessionárias de energia elétrica do Estado. A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) realizou diversas auditorias e tivemos alguns compromissos por parte das concessionárias. Entre as principais ações propostas estão melhoria do atendimento ao cliente, diminuição do tempo no restabelecimento do fornecimento da energia elétrica, aumento do número de equipes, investimento em tecnologia da informação com vistas a um atendimento online mais eficaz e um canal de comunicação mais próximo.

No dia 8 de setembro um novo vendaval destelhou casas, derrubou árvores e causou estragos nas regiões de São José dos Campos, Marília, Bauru, Campinas, Sorocaba, Jundiaí, Ourinhos, Franca, Presidente Prudente, em todo o ABC e na região metropolitana de São Paulo.

Estamos começando um novo período chuvoso, que deve ser celebrado devido à escassez hídrica dos últimos anos no Sudeste do País. Mas é preciso estar preparado para enfrentar com rapidez os problemas que são inerentes.

Além dos cuidados com a arborização, é preciso que as concessionárias incorporem à rede de distribuição sistemas automatizados de religamento de energia, melhore e aumente as equipes de monitoramento e de campo e, principalmente, disponha de sistemas inteligentes, que identifique o tipo de cliente e sua urgência no restabelecimento da energia, como é o caso de hospitais, asilos, escolas, grandes centros comerciais, entre outros.

Os hospitais são uma grande preocupação. Apesar dos sistemas de gerador a diesel, existentes nos hospitais em casos de interrupção de energia, é fundamental que as concessionárias, com a expertise que possuem, ajudem os centros hospitalares a terem ferramentas modernas de continuidade de energia elétrica durante eventos extremos da natureza.

É preciso também que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável por toda regulação do sistema elétrico brasileiro, revise os critérios e normas que balizam a atuação das concessionárias de distribuição de energia, contemplando regramentos diferenciados para pequenas e grandes cidades, adequados às peculiaridades de cada uma.

Enquanto o aterramento das redes de distribuição ainda é uma solução distante, devido ao alto custo, só resta aos responsáveis empreender ações desta natureza para, a curto prazo, minimizar os impactos que as interrupções causam na vida das pessoas.

Neste dia 21 de dezembro começa o verão. Vamos lutar para que essas ações não sejam apenas uma promessa de vida no teu coração.

João Carlos de Souza Meirelles é engenheiro, foi secretário de Agricultura (1998-2002) e de Desenvolvimento Econômico (2003-2006) do Estado de São Paulo. É secretário de Energia e Mineração.