01/12/2015

Bill Gates lança fundo de US$ 7 bi por energia limpa

Com apoio de Mark Zuckerberg e Jack Ma, fundo tem EUA, França, Indonésia e Canadá como países-membros

Indonésia, Canadá, EUA e França estão entre os países que aderiram ao fundo de Gates

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, lançou ontem uma fundo bilionário dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento de tecnologias de energia limpa. O anúncio da Breakthrough Energy Coalition (coalizão para revolução na energia, em inglês) foi feito durante a 21ª Conferência do Clima, a COP-21, ao lado de líderes de Estado de todo o mundo.

A Breakthrough Energy Coalition nasce com US$ 7 bilhões em investimentos, feitos por investidores privados e países desenvolvidos e em desenvolvimento. Gates disse que irá contribuir pessoalmente com US$ 2 bilhões.

“Biocombustíveis, energia eólica, fissão, fusão, captura de carbono: não temos preferência por qualquer tipo de energia, mas tem de ser limpa e fácil para poder ganhar escala de forma rápida e barata”, disse Gates durante seu discurso na COP-21.

As nações que participam da coalização terão o compromisso de dobrar seus orçamentos para pesquisa e desenvolvimento de tecnologia de energia limpa até 2020, enquanto investidores privados – em uma lista que inclui Mark Zuckerberg, do Facebook, Jack Ma, do Alibaba, e Jeff Bezos, da Amazon – terão de aumentar suas verbas para o setor. A Universidade da Califórnia também participará do projeto. Na conferência, Gates afirmou que vai buscar novos investidores ao longo dessa semana.

O acesso à tecnologia limpa é um dos temas principais de um novo acordo global para combater as mudanças climáticas. Mais de 190 países estão negociando um novo pacto na COP-21 até o fim da conferência, em 11 de dezembro. Entre eles, Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia e Indonésia já se comprometeram a participar da iniciativa de Gates, disse uma fonte da presidência da COP-21 à Reuters. “O anúncio de Gates deve levar outros países a seguir o exemplo”, declarou a fonte.

Índia. Terceira maior emissora de gases poluentes do mundo, a Índia tem o acesso à tecnologia de energia limpa como núcleo de sua estratégia nacional para combater as mudanças no clima. Para o país asiático, as nações desenvolvidas devem auxiliar os países em desenvolvimento para dar acesso à energias de fontes renováveis ou sem emissão de carbono, por meio da redução de custos e da retirada de barreiras como direitos de propriedade intelectual.

Presente na Assembleia Geral da ONU em setembro, Gates participou de um encontro entre os líderes de Estado da França e da Índia sobre as mudanças no clima. Segundo Hollande, a Índia tem tudo para ser um dos principais beneficiários da iniciativa.

Em junho, Gates colocou à disposição os US$ 2 bilhões de sua riqueza pessoal para investir em energias limpas nos próximos anos. Em seu blog, Gates afirmou que tecnologias disruptivas serão necessárias para mudar o status quo dos dias de hoje, e que as tecnologias atuais para reduzir emissões de carbono tem um custo “além do astronômico”.