10/12/2015

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico diz que sistema tem sobra estrutural de 9.359 MW médios

O Sistema Interligado Nacional (SIN) conta com sobra estrutural de energia elétrica de cerca de 9.359 MW médios para atender a carga prevista, avaliou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), em sua reunião mensal, realizada nesta quarta-feira (9/12) e presidida pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata. Em 2015, até o dia 9 de dezembro, entraram em operação 5.170 MW de capacidade de geração nova, equivalente a 81% do previsto até o último dia do ano, dos quais 721,8 MW desde a reunião anterior do CMSE.

Até o final de 2015, há expectativa de entrada em operação de aproximadamente 800 MW de potencia instalada, distribuídos em 37 empreendimentos, os quais já se encontram em fase de testes. Destacam-se as usinas hidrelétricas Jirau e Santo Antônio, além das usinas eólicas Verace, no Rio Grande do Sul; Ventos de Santa Brígida, em Pernambuco; e Ventos de Santa Joana e de Santo Onofre, no Piauí. Já estão computados nesse balanço os 364 MW da primeira turbina de Teles Pires. Para este ano, está prevista a entrada de 6.410 MW de energia.

De acordo com a nota informativa do colegiado, o risco de déficit de energia neste ano se manteve estável em comparação ao dado da reunião anterior, com risco zero em todas as regiões do Sistema Interligado Nacional (SIN) e considerando tanto o despacho das térmicas por ordem de mérito quanto das térmicas até o CVU de R$ 600/MWh.

Veja a íntegra da nota do colegiado:

Nota Informativa de 9 de dezembro de 2015

O sistema elétrico apresenta-se estruturalmente equilibrado, devido à capacidade de geração e transmissão instalada no país, que continua sendo ampliada com a entrada em operação de usinas, linhas e subestações, considerando-se tanto o critério probabilístico (riscos anuais de déficit), como as análises com as séries históricas de vazões, para o atendimento da carga prevista para 2015, de 64.017 MW médios de energia.

O Sistema Interligado Nacional – SIN, dispõe das condições estruturais para o abastecimento do País, embora as principais bacias hidrográficas onde se situam os reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste tenham enfrentado uma situação climática desfavorável. Considerando o risco de déficit de 5%, conforme critério estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, há sobra estrutural de cerca de 9.359 MW médios para atender a carga prevista, valor esse atualizado com as datas de entrada em operação das usinas para os próximos meses e a projeção de demanda. Em 2015, entraram em operação 5.170 MW do total de 6.410 MW de capacidade de geração previstos, dos quais 721,8 MW desde a última reunião deste Comitê, conforme listado a seguir:

Segundo informações do CEMADEN e INPE/CPTEC, no mês de novembro de 2015 predominaram chuvas acima da média nas bacias do subsistema Sul e Sudeste, com exceção da bacia do rio Paranaíba. As bacias dos subsistemas Nordeste e Norte apresentaram chuvas abaixo dos valores médios históricos. Consequentemente, as afluências verificadas foram 118%, 16%, 202% e 44% da média histórica das regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Norte, respectivamente.

Em reunião realizada em 05 de agosto de 2015, o CMSE deliberou pelo desligamento das usinas térmicas com custo variável unitário (CVU) acima de R$ 600/MWh, por segurança energética. O ONS deverá continuar efetuando o acompanhamento das condições hidroenergéticas do SIN visando, em função da sua evolução, propor ao CMSE a definição da geração térmica necessária para a garantia do atendimento energético do SIN.

Considerando a configuração do sistema do Programa Mensal de Operação – PMO, de dezembro de 2015, e simulando-se o desempenho do sistema utilizando as 82 séries de energias afluentes observadas no histórico[i], considerando tanto o despacho das térmicas por ordem de mérito quanto o despacho das térmicas até o CVU de R$ 600/MWh, obtêm-se valores para o risco de qualquer déficit de energia iguais a 0,0%, para as regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste[ii]. Com base nas análises efetuadas, observa-se que as condições de suprimento de energia do Sistema Interligado Nacional se mantiveram estáveis em relação ao mês anterior.

Mesmo com o sistema em equilíbrio estrutural, ações conjunturais específicas podem ser necessárias, em função da distribuição espacial dos volumes armazenados, cabendo ao Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS a adoção de medidas adicionais àquelas normalmente praticadas, como aquelas adotadas em 2014, buscando preservar os estoques nos principais reservatórios de cabeceira do SIN.

Além das análises apresentadas, outras avaliações de desempenho do sistema, utilizando-se o valor esperado das afluências e anos semelhantes de afluências obtidas do histórico, não indicam insuficiência de suprimento energético neste ano.

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País.

Ministério de Minas e Energia – MME

Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP

Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE

Empresa de Pesquisa Energética – EPE

Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS

Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL (convidado).