16/12/2015

Leilão de energia reduz o risco de colapso

O leilão de energia realizado pela Câmara de Compensação de Energia Elétrica (CCEE) negociou 1.954 MW médios num montante de R$ 6,9 bilhões, assegurando a grandes distribuidoras melhores condições de atender os consumidores. Predominou a venda de eletricidade gerada pela queima de bagaço de cana, gás natural e cavacos ou resíduos de madeira.

A energia térmica continua ajudando a reduzir o risco de um colapso da oferta nos próximos três anos. O regime pluviométrico melhorou na Região Sudeste, a maior consumidora, mas não a ponto de permitir uma redução nas tarifas, pois nos próximos anos será preciso quitar as dívidas assumidas para corrigir os equívocos do modelo de modicidade tarifária pretendido pelo governo Dilma Rousseff.

A maior compradora foi a Eletropaulo, que adquiriu 55,1% do total da energia oferecida no leilão. A partir de janeiro, a distribuidora não contará mais com o suprimento maciço da AES Tietê. Com a energia comprada será mais viável atender bem as regiões em que atua, desde que faça os investimentos nas redes a ela concedidas. Outras grandes compradoras foram Light, Ampla, Coelba, Celpa e CEA. A situação do setor elétrico na Região Nordeste é bem mais complicada, dado o esgotamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas por causa da estiagem.

Os deságios pequenos são explicáveis pela cautela com que agem as empresas do setor. Mas as compras indicam que elas preveem aumento da demanda, apesar das tarifas elevadas e da intensidade da recessão.

Não houve oferta de energia a prazo de cinco anos, mas o presidente da CCEE, Rui Altieri, considerou que o resultado do certame foi satisfatório.

O grupo BTG, que vem se desfazendo de ativos, foi o maior vendedor, seguindo-se a GeraMamoré, do Grupo GDF Suez, e a Votener, do Grupo Votorantim.

O resultado favorável do leilão de energia existente não significa que os problemas do setor estejam bem encaminhados.

O governo já avalia a possibilidade de adiar o primeiro leilão de energia marcado para 2016, para o fornecimento de 47,6 mil MW a partir de 2021, “um recorde nacional e mundial”, segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Neste caso, o prazo de cinco anos para entrega de energia é dilatado e as distribuidoras terão de avaliar a força do mercado consumidor após uma longa recessão.