03/12/2015

Revolução energética?

Esta é a mais ampla e promete ser a mais bem-sucedida conferência global do clima. Se os objetivos desta Cop-21, que se realiza em Paris, forem minimamente atingidos, será inevitável uma revolução na área energética. E, nessas condições, o petróleo poderá estar com os dias contados.

Como já foi analisado nesta Coluna no último sábado, o objetivo da Cop-21 é impedir que, até 2100, a temperatura média do planeta ultrapasse em 2 graus Celsius a que prevalecia antes dos tempos pré-industriais. Isso aí é como desacelerar um carro a 120 quilômetros por hora para 60 por hora, em coisa de 100 metros.

Na prática, esse compromisso exige uma virada na matriz energética mundial, altamente poluidora. O petróleo e o carvão concorrem, respectivamente, com 31% e 29% na produção de energia elétrica no mundo. A partir de agora, se prevalecerem os compromissos da Cop-21, os combustíveis fósseis terão de ser gradativamente substituídos por fontes não poluidoras.

Na sua coluna publicada nesta quarta-feira pelo diário inglês Financial Times, um dos mais influentes analistas econômicos, Martin Wolf, cita observação carregada de significado do economista Spencer Dale, ex-economista-chefe do Banco da Inglaterra (banco central) e hoje na BP: “Nos últimos 35 anos, o mundo consumiu 1 trilhão de barris de petróleo. No mesmo período, as reservas comprovadas de petróleo aumentaram em mais de 1 trilhão de barris”. Ou seja, a perspectiva é de que continue sobrando petróleo no mundo.

O que se vê, então, é que as autoridades do planeta caminham na direção oposta à dos interesses do setor do petróleo. Ainda que prevaleça boa dose de ceticismo sobre sua capacidade de cumprir o que estão assinando, parece inevitável que algum grau de sucesso na substituição de petróleo por outras fontes de energia acabará por acontecer.

Não se trata apenas de trocar termoelétricas que queimam petróleo e carvão por campos de energia eólica e pela proliferação de painéis fotovoltaicos. Trata-se, também, de mudar os sistemas de propulsão dos veículos a gasolina e a óleo diesel.

Até agora, a maior objeção aos veículos elétricos ou híbridos era a de que substituem a emissão de CO2 pelos escapamentos pela emissão por meio das chaminés das termoelétricas. No entanto, na medida em que as fontes primárias de energia deixarem de emitir dióxido de carbono nas proporções atuais, uma das mais contundentes críticas aos carros elétricos deixará de fazer sentido. Assim, ficou bem mais provável a pavimentação da estrada para o carro do futuro.

Na medida em que  se comprometer a observar as novas metas ambientais, o governo brasileiro  também estará contribuindo para tirar força do setor do petróleo.

No momento, a política de petróleo do Brasil enfrenta enormes restrições financeiras. Daqui para a frente, além dessa, terá de enfrentar, também, crescentes restrições ambientalistas ao amplo desenvolvimento do setor.

 

Celso Ming