23/12/2015

Selo Verde tem apoio da Secretaria de Agricultura de São Paulo

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo está apoiando o Selo Energia Verde, programa pioneiro de certificação da indústria canavieira que pretende fomentar o comércio de bioeletricidade gerada a partir da cana-de-açúcar. O secretário Arnaldo Jardim participou do evento de lançamento na sede da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), em São Paulo, que ampliou a concessão do título aos consumidores desse tipo de energia, considerada uma das mais amigas do meio ambiente.

A iniciativa foi lançada em janeiro de 2015 pela Unica e já certificou 50 usinas. Com a ampliação, passa também a reconhecer os compradores dessa energia ambientalmente correta, uma forma de fomentar o mercado e reconhecer essa boa escolha. De acordo com a entidade, o total de energia fornecida pelas empresas já certificadas é suficiente para abastecer 3,5 milhões de residências pelo ano inteiro – evitando a emissão de três milhões de toneladas de CO2 no mesmo período.

“O Estado de São Paulo é o maior produtor nacional e mundial de cana-de-açúcar, etanol, açúcar e bioeletricidade. Nossa participação é importante para fomentar um mercado de energias renováveis que são exemplos de que é possível unir produção agrícola e meio ambiente, como sempre nos orienta o governador Geraldo Alckmin”, destacou Arnaldo Jardim.

Em termos de produção nacional, o território paulista é responsável por 56,2% da cana, 50,6% do etanol, 63,5% do açúcar e 50% da bioeletricidade, com as regiões de Ribeirão Preto, Orlândia e Barretos como as maiores produtoras. De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria, em 2014, açúcar e álcool representaram R$ 27 bilhões nas exportações do Estado.

Rui Altieri, presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), parceira na iniciativa, destacou os ganhos que a ampliação do Selo trará, com os consumidores podendo escolher entre adquirir uma energia menos agressiva ao planeta. “O maior ganho para a população é ter a certeza de que está consumindo uma energia que é sustentável, que garante uma utilização racional do meio ambiente, dos recursos naturais”, apontou.

“Isso agrega valor a esse produto porque os consumidores desejam ser adquirentes de energia renovável. Daí a importância do selo para diferenciar a forma de energia e para agregar valor ao produto”, reiterou Reginaldo Medeiros, presidente executivo da Abraceel. A participação da Associação dá capilaridade à iniciativa porque é ela quem se relaciona com o consumidor no mercado livre de energia, hoje responsável por 25% do consumo nacional.

Fóssil

A ampliação do Selo é uma tentativa de fomentar o consumo de energias renováveis, ou seja, aquelas geradas a partir de matéria-prima que se recompõe, como a cana-de-açúcar, e não agravam o efeito estufa. Não é o caso do petróleo, oriundo de material fóssil impossível de ser reposto, mais poluente e que encontra um mercado favorável mesmo sendo um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Como enumerou a presidente da Unica, Elizabeth Farina, a comercialização de combustíveis fósseis no mundo recebe subsídios por volta de 3 trilhões de dólares anuais, conforme cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI), deixando os renováveis sem condições de competir no mercado global. “Isso é um desafio, é uma ameaça para todo o desenvolvimento de energias renováveis, seja a elétrica ou sejam os combustíveis. Nós vamos ter que enfrentar isso. É um jogo que está começando”, finalizou.