27/01/2016

Aos poucos o mundo descobre os benefícios do etanol, principalmente no aspecto ambiental

Desde que o Proálcool foi criado, em 1975, o Brasil conseguiu a extraordinária façanha de substituir 42% da gasolina por etanol. Conquista que alguns outros países vêm perseguindo nos últimos anos. “É extraordinária a contribuição que o etanol de cana tem trazido ao meio ambiente ao nível local e global, muito maior que o etanol de grãos, como de milho e de trigo”, relata Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria.

Em 2015, meses antes da Conferência do Clima em Paris (COP21), uma importante reunião reuniu os presidentes do G7 na Alemanha. Na ocasião, os governantes concordaram em apoiar uma redução de 40% a 70% das emissões de CO2 até 2050 (em relação aos níveis de 2010), além de zerar as emissões até 2100. Passo considerado fundamental para evitar que a temperatura média global supere a marca de 2 graus Celsius.

Diante dessa meta ousada, o etanol pode dar grande contribuição, como acontece no caso brasileiro. Mas para isso, é preciso valorizar as externalidades positivas desse biocombustível, principalmente as de caráter ambiental. “É preciso lembrar-se da grande contribuição que o etanol de biomassa e, em particular, o de cana em nível local e global, que se mostra muito melhor que o etanol feito de outras fontes por seu elevado poder de conversão energética e por ser neutro em emissão de carbono.”

Além disso, Nastari relata que nos Estados Unidos as grandes montadoras estão buscando o que o etanol oferece: a possibilidade de motores menores, com mais elevada taxa de compressão. “É isso que o Programa Inovar-Auto deve buscar no Brasil, a valorização do etanol pelo que ele traz para o aumento de eficiência dos motores dos veículos, pelo aumento de eficiência energética, e pelo caráter benigno do ponto de vista ambiental.”

Ou seja, se por um lado o Brasil caminhou muito ao substituir um grande volume de CO2 equivalente ao adotar o etanol, no acumulado dos últimos 40 anos (desde 1975), por outro o país ainda tem muito a avançar – inclusive aprendendo com outros países – no sentido de valorizar e otimizar os benefícios desse biocombustível.

De acordo com Nastari, essa mensagem já está chegando ao consumidor. “E não é por outro motivo que o interesse e o uso do etanol estão crescendo em outros países, como na Colômbia, no Peru, no Paraguai, na Argentina, e mais recentemente também na China, na Tailândia, na Índia, nas Filipinas, na Tunísia etc.”