26/01/2016

Consumo de gás natural cresce nos segmentos automotivo e de cogeração em novembro e reflete desaceleração do País na indústria

Segmento de cogeração registrou alta de 10,5% em novembro frente a outubro; consumo de GNV cresceu 1,5% no período

Em novembro, o consumo de gás natural no país apresentou o pior resultado do ano no segmento industrial. A queda, na comparação com o mês de outubro, foi de 3,8%, enquanto na comparação com o mesmo período de 2014 a retração é de 4,5%, de acordo com levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (ABEGÁS).

Em novembro de 2015 foram consumidos, nas somatórias de todo o País, 74,65 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural, enquanto em novembro de 2014 o volume foi de 80,33 milhões de metros cúbicos/dia.

“Os números refletem a redução da atividade industrial e a desaceleração da economia brasileira. O Brasil precisa se preparar para a retomada do crescimento econômico e em todo o mundo o gás natural é um insumo estratégico por ser uma fonte de energia versátil e mais limpa. O País precisa de políticas que fortaleçam o mercado de gás natural, ampliando a oferta desse energético a preços competitivos, estimulando novos investimentos, especialmente no setor industrial”, afirma o presidente executivo da Abegás, Augusto Salomon.

A retração no segmento industrial foi atenuada pela inclusão do volume comercializado pela Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) à Refinaria Abreu Lima (RNEST), cujo faturamento estava em negociação com a Petrobras e foi regularizado em novembro por um acordo entre as partes, o que também contribuiu para melhorar o resultado do segmento no acumulado do ano, com crescimento de 2,4%.

O segmento comercial é outro que refletiu a desaceleração da economia brasileira, com redução de 2% em novembro na comparação com outubro. Frente a novembro de 2014, o crescimento é de 3,5%, resultado do investimento das distribuidoras em expansão de rede e captação de novos clientes. O acumulado no ano é de 3%.

Outro segmento com retração foi o residencial: 1,8% na comparação com o mês anterior, em grande parte ocasionado por causa da sazonalidade do período, que apresentou temperaturas mais elevadas, o que diminui o consumo de gás em aquecedores de água de chuveiros, por exemplo.

Já o segmento automotivo confirmou a tendência de alta registrada já no mês anterior e cresceu 1,5% em novembro na comparação com outubro.

“A alta dos preços da gasolina e do etanol fez com que muitos consumidores percebessem que o GNV é uma opção cada vez mais econômica e o número de conversões aumentou em muitos estados. Um estudo recente da Abegás revelou que o GNV é 45% ou mais econômico em 13 estados na comparação com o etanol e a gasolina na relação por quilômetro rodado — em seis estados esse número está na casa dos 50%. Diversas associadas da Abegás prosseguem com campanhas educativas e de incentivo para apresentar aos consumidores todas as vantagens do GNV”, explica o presidente executivo da Abegás.

O segmento de cogeração apresentou crescimento de 10,5% em novembro na comparação com o mês anterior e de 16,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a geração elétrica utilizando gás natural apresentou retração de 1,5% na comparação com o mês anterior e 15% com o mesmo período de 2014, refletindo a redução da demanda por energia elétrica do país — outro indicador da desaceleração da economia.

“A cogeração vem crescendo no Brasil por vários fatores. Com o elevado custo da energia elétrica, cada vez mais empreendimentos vêm percebendo na cogeração uma alternativa competitiva para diversificar a matriz energética, buscando autossuficiência, confiabilidade, segurança e sustentabilidade”, afirma Salomon.

Consumo regional

Na região Sudeste, os segmentos automotivo e de cogeração tiveram crescimentos de 1,7% e 2,5%, respectivamente.

Na região Sul, destaque para o segmento residencial, com alta de 26,8%.

No Nordeste, o segmento industrial teve crescimento de 36,9%, em virtude da inclusão do volume comercializado pela Copergás à Refinaria Abreu Lima (RNEST), cujo faturamento estava em negociação com a Petrobras e foi regularizado em novembro por um acordo entre as partes.

Na região Norte, o segmento comercial cresceu 7,1%.

No Centro-Oeste, o ponto alto foi o segmento de cogeração, com 1,3%.