19/01/2016

Cúpula do setor elétrico está preocupada com desligamentos acidentais no SIN

Entre as causas estão falhas no processo de poda de árvores, queimadas e atuação indevida dos sistemas de proteção

A cúpula do setor elétrico está preocupada com a quantidade de desligamentos acidentais que vêm ocorrendo no Sistema Interligado Nacional. Somente entre os dias 3 e 13 de novembro de 2015 o Operador Nacional do Sistema Elétrico registrou cinco grandes ocorrências que provocaram interrupções de carga superiores a 100 MW e com duração acima de 10 minutos. Entre as causas dos desligamentos estão falhas no processo de poda de árvores, queimadas e atuação indevida dos sistemas de proteção.

“Em virtude do quantitativo elevado de desligamentos acidentais causadas por atuações indevidas/incorretas dos sistemas de proteção e por falha humana, o Comitê deliberou que o ONS e a Aneel deverão apresentar uma proposta de trabalho, em conjunto com as empresas do setor elétrico brasileiro, com vistas ao gerenciamento destas causas e consequentemente melhorar o desempenho de sistemas de proteção”, determinou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. As informações constam na ata 162ª reunião do CMSE realizada em 9 de dezembro, porém só divulgada nesta segunda-feira, 18 de janeiro.

Segundo o documento, no dia 3 de novembro houve o desligamento automático do TR-6 230/138 kV da SE Anhanguera (Goiás – Celg GT)  devido a “falha no Supervisor de Paralelismo Síncrono”. Essa ocorrência foi classificada pelo ONS como de pequeno porte para o estado de Goiás e para o SIN.

No dia 6 de novembro houve o desligamento automático da LT 345 kV Montes Claros 2 – Várzea da Palma 1 C1 devido a um curto-circuito monofásico de alta impedância, “causado por queimada”. Também ocorreu a atuação incorreta da proteção diferencial do Autotransformador T5 345/138 kV da SE Montes Claros 2. Como consequência houve corte de 380 MW de carga. Esta ocorrência foi classificada pelo ONS como de pequeno porte para o estado de Minas Gerais e para o SIN.

No dia 11 de novembro houve o “desligamento automático acidental” da LT 230 kV Fortaleza II / Delmiro Gouveia 04F4, “coincidente com uma intervenção” na SE 230 kV Fortaleza II. Houve corte de 325 MW de carga. Esta ocorrência foi classificada de pequeno porte para o estado do Ceará e para o SIN.

No dia 12 de novembro houve o desligamento provocado por curto-circuito bifásico “acidental em função de queda de árvore ocorrida durante poda seletiva” na LT 230 kV Samuel – Porto Velho C2 e, em seguida, atuação da Proteção por perda de sincronismo, com consequente desligamento das LTs 230 kV Ji-Paraná – Pimenta Bueno C1 e C2, em função das condições sistêmicas, que culminou com o corte de 188 MW de carga, classificada como médio porte para o estado do Acre e pequeno porte para Rondônia e o SIN.

No dia 13 de novembro, o desligamento incorreto das LT 230 kV Jurupari-Laranjal C1 e C2, “causado por falha na proteção do terminal de Jurupari”, comandou um desligamento local. Como consequência do desligamento da LT 230 kV Jurupari-Laranjal C1 foi aberta a interligação 230 kV para o Amapá, fato que isolou as subestações Laranjal e Macapá do SIN, causando a interrupção de 201 MW de carga na distribuidora CEA do Amapá, o que afetou, inclusive, o fornecimento de energia à capital do Estado, classificada como muito grave para o estado do Amapá e de pequeno porte para o SIN.

No dia 7 de janeiro, a Agência CanalEnergia publicou que o sistema elétrico brasileiro registrou um aumento de 16,7% no número de interrupções de carga até novembro de 2015, passando de 78 ocorrências em 2014 para 91 no ano passado. Somadas, as ocorrências totalizaram uma interrupção de 28.338 MW de carga, contra 26.443 MW em 2014, segundo informações do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro.

Na ocasião, em nota à reportagem, o Ministério de Minas e Energia disse que o aumento no número de ocorrências pode ser explicado pela contabilização das falhas ocorridas nos sistemas de Roraima e Amapá, que antes não eram registradas.  “Em 2015 foi aprimorado o processo de análise de ocorrências dos sistemas isolados pela Secretaria de Energia Elétrica, inclusive com maior disponibilidade de informações consolidadas das ocorrências. Assim, o montante de carga interrompida apresentado no Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro para o ano 2014 não incluía as ocorrências dos sistemas de Roraima e Amapá, que passaram a ser computadas em 2015”, escreveu o MME.

Ao longo do ano, houveram dois grandes cortes que afetaram o Sistema Interligado Nacional como um todo: um em janeiro, de 4.453 MW, e outro em maio, de 1.034 MW.  O subsistema Norte registrou 30 interrupções no ano, com corte de 7.629 MW; o Sudeste registrou 23, com corte de 9.82 MW; seguido pelo Nordeste, com 12 (4.426 MW) interrupções e Sul, com 9 (1.916 MW) casos.