07/01/2016

Especialistas já preveem bandeira vermelha o ano todo

A continuidade da operação das térmicas mais caras representa um risco de alta à inflação de 2016, ainda que pequeno. Mesmo economistas que esperam mudança da bandeira tarifária vermelha para amarela avaliam que a passagem não deve ocorrer no primeiro trimestre. Do outro lado, analistas que já trabalham com manutenção do sinal vermelho ao longo de todo o ano afirmam que o acionamento das termelétricas reforça o cenário menos otimista para o aumento das contas de luz.

É o caso de Leonardo Costa França, da Rosenberg Associados, que projeta alta de 9,9% para as tarifas de eletricidade em 2016. “Mantemos a expectativa de que a bandeira vermelha não se altere ao longo do ano”, diz, hipótese que ganhou força após a notícia de que as térmicas mais caras seguem despachadas.

Mesmo assim, pondera França, os preços de energia terão recuo forte em relação a 2015, quando devem ter avançado mais de 50%. Contribuem para o quadro mais benigno, diz, a ausência de reajustes extraordinários das tarifas das distribuidoras e de correções da energia gerada pela usina binacional de Itaipu.

Os dados mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre o uso de térmicas afastaram ainda mais o cenário otimista de alteração para bandeira verde este ano, afirma Thiago Curado, economista da 4E Consultoria. Nesse caso, Curado calcula que as tarifas de eletricidade subiriam 6,75% em 2016, ao invés dos 11,2% projetados atualmente, que consideram passagem da bandeira vermelha para amarela.

Com o desligamento total das térmicas, estima ele, o IPCA aumentaria 7,3% neste ano, 0,1 ponto a menos do que a previsão da consultoria para o indicador. Já considerando que não haverá mudança nas bandeiras tarifárias em 2016, a projeção para o índice aumentaria ligeiramente, de 7,40% para 7,45%.

“O cenário de bandeira vermelha não é muito pessimista, nem o de bandeira amarela é muito otimista”, resume o economista, uma vez que a melhora do regime hidrológico, ao mesmo tempo em que reduz os riscos de alta mais forte das tarifas de energia, pressiona os preços de alimentos in natura. “O efeito de alimentação em alta praticamente anula o impacto da passagem da bandeira vermelha para amarela.”

Étore Sanchez, da LCA Consultores, mantém em 5,5% sua estimativa para o reajuste médio das contas de luz neste ano, contando com a entrada da bandeira amarela em junho. Caso a mudança não aconteça, a previsão da LCA mudaria para 10%, o que teria impacto adicional de 0,18 ponto percentual no IPCA, que, nos cálculos da consultoria, deve avançar 7,1% em 2016.

Embora a falta de chuvas no Nordeste seja um risco à expectativa de alteração de bandeiras, Sanchez destaca que o peso das capitais nordestinas é menos representativo no indicador oficial de inflação. Além disso, os efeitos da seca na região sobre as contas de luz tendem a ser diluídos pela interligação do sistema nacional de energia, afirma ele.
De qualquer forma, diz, a hipótese de bandeira amarela pode ser considerada conservadora, diante do maior volume de chuvas no Sul e no Sudeste. “Não podemos ignorar o volume de chuvas que está caindo agora, mas apostar que ele vai se manter e que, por isso, a bandeira mudará para verde é uma hipótese agressiva”, aponta Sanchez.