21/01/2016

Estado de São Paulo realizada seminário sobre barragens de mineração com os maiores especialistas do Brasil

Os maiores especialistas do Brasil em mineração, barragens, recuperação de água, eliminação de rejeitos e prevenção de acidentes participaram nesta quinta-feira, 21 de janeiro, de um seminário sobre barragens de mineração organizado pelo grupo de trabalho (GT) criado pelo Governo do Estado e coordenado pela Secretaria de Energia e Mineração.

A cerimônia de abertura contou com os secretários estaduais que têm técnicos no GT. “Além de verificarmos as ações que dão garantia e segurança à população, queremos mostrar para todo o setor mineral que somos parceiros e queremos fomentar a cadeia produtiva transformando a imagem que a mineração possui atualmente, criando empregos e atingindo um novo patamar”, destacou o secretário Estadual de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles.

A fiscalização das barragens de mineração no Brasil é de responsabilidade do órgão federal DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. O diretor de Fiscalização do DNPM, Walter Arcoverde, destacou a importância do seminário. “Esse grupo de trabalho é uma excelente iniciativa. A informação é o caminho e estou trazendo algumas informações que contribuirão com este grupo”, disse.

O Governo do Estado de São Paulo instalou o grupo de trabalho no último dia 9 de dezembro. “É fundamental reunir as secretarias, mas também as instituições e empresas, este é o caminho. As ações de prevenção, fiscalização e modernização são a melhor forma de minimizar riscos”, afirmou a secretária-adjunta de Saneamento e Recursos Hídricos, Monica Porto.

Segundo a secretária Estadual de Meio Ambiente, Patrícia Iglesias, “o governo do Estado sabe que não podemos esperar algo para agir, por isso a importância da instalação desse grupo”, disse.

O GT irá apresentar, até o final de fevereiro de 2016, um relatório com recomendações para as empresas responsáveis pelas barragens visando a adequação das estruturas, adoção de novas tecnologias e a mitigação de riscos conforme as leis vigentes. “Temos que diminuir as possibilidades de desastres e só com planejamento e adoção de medidas que teremos segurança”, explicou o secretário da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo, coronel José Roberto dos Santos.

O grupo de trabalho é coordenado pelo subsecretário de Mineração da Secretaria Estadual de Energia e Mineração, José Jaime Sznelwar. “O GT já visitou seis barragens e até o final de fevereiro vamos visitar as outras 15 barragens cadastradas na ANA e no DNPM, além de instalações que não estão cadastradas”, detalhou Sznelwar.

O relatório final também irá apresentar recomendações para o aperfeiçoamento dos sistemas de fiscalização dos órgãos públicos federal, estaduais e municipais.

O grupo de trabalho é formado ainda pelo superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica – Daee, Ricardo Borsari, o diretor do Departamento de Defesa Civil, Tenente Coronel PM Walter Nyakas Júnior, a representante da Cetesb, Maria Heloisa Assumpção, o diretor geral do Instituto Geológico – IG, Ricardo Vedovello, a especialista do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres no Estado de São Paulo – Ceped/USP, Maria Eugênia Gimenez Boscov, o chefe do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica-USP, Giorgio Francesco Cesare de Tomi, e o Omar Yazbeck do Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

O seminário

Dividido em quatro painéis, o seminário teve início com a apresentação do presidente da J.Mendo Consultoria Empresarial, José Mendo de Souza, que mostrou a percepção da mineração brasileira após o acidente da barragem da Samarco na cidade de Mariana, em Minas Gerais. O diretor de fiscalização do DNPM, Walter Arcoverde, detalhou a situação atual do controle de barragens de mineração no Brasil e o assessor técnico do Comin da Fiesp, Daniel Debiazzi, mostrou um panorama atual do controle de barragens de mineração em São Paulo.

O primeiro painel intitulado “Métodos de Construção de Barragens de Rejeito em Mineração e Problemas Associados” contou com duas apresentações. O geotécnico master da VOGBR, José Mario Mafra abordou os tipos, normas e métodos de construção de barragens de rejeito de mineração, bem como as vantagens e desvantagens de cada modelo.

Já o engenheiro Joaquim Pimenta, da Pimenta de Ávila Engenharia, mostrou as anomalias e incidentes típicos em barragens.

O segundo painel do dia denominado “Estado da Arte da Tecnologia de Monitoramento e Controle” teve o engenheiro Geraldo Moretti, da Moretti Engenharia apresentando o tema, em seguida o engenheiro do IPT, Ronaldo Rocha, explicou as metodologias e equipamentos para monitoramento da estrutura das barragens e o professor da USP, Edvaldo Simões Fonseca Junior, detalhou as técnicas geodésicas de monitoramento de barragens.

Ainda no painel 2, Carlos Nobre da Conceição, da TEC TOR, falou sobre o radar para monitoramento de movimentações topográficas, já o representante da Tenova Brasil, Flávio Barros, apresentou o sensor inteligente para estabilidade de barragens.

No início da tarde o terceiro painel abordou as “Novas Tecnologias de Processamento Mineral para a Eliminação de Barragens de Rejeitos”.

Desaguamento de rejeitos para empilhamento a seco foi o tema da palestra dos engenheiros Celso Tessaroto da Exceltech e Rotenio Castelo Chaves Filho da RZ.

O tema do painel foi abordados nas palestras dos representantes do CETEM/MCTI, Claudio Schneider, da FACIX/MATEC, Vinicius Vilela, da Metso, Vinicius Lisboa de Souza, dos técnicos do IPT, Sandra Moraes e Marsis Cabral, da i9 Tecnologia Alexandre Passos e Flavio Frascino, da Haver & Boecker, Paula Novaes Right, Weir do Brasil, Ricardo Elie Baracat, e da Steinert,  Paulo da Pieve.

O último painel do seminário técnico sobre barragens de mineração debateu a “Prevenção e atuação em situações de emergência”.

O pesquisador titular da Área de Lavra de Minas do Instituto Tecnológico Vale – ITV, Vidal Félix Navarro Torres, apresentou os contaminantes ácidos e sólidos resultantes das operações de ruptura de depósitos de resíduos na mineração. Já o representante do Setor de Atendimento a Emergências da CETESB, Marco Antônio Lainha, mostrou o desastre ambiental de Cataguazes como agente motivador para a criação do Plano Nacional de Prevenção e Respostas Rápidas Ambientais com Produtos Químicos Perigosos.

Finalizando o seminário, o secretário Estadual da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo, coronel José Roberto de Oliveira, mostrou a importância da existência de planos emergenciais em caso de rompimento de barragens nos municípios paulistas.

“Com certeza saímos desse seminário com informações valiosas que ajudarão o grupo de trabalho de barragens de mineração a produzir um relatório ainda mais rico e capaz de ajudar os órgãos fiscalizadores e empresas do setor a exercerem uma mineração responsável, dando segurança à população, aos empregados e apoiando a retomada da economia”, finaliza Sznelwar.

Mineração em São Paulo

São Paulo é o terceiro maior produtor de bens minerais do país e o maior consumidor de insumos da cadeia de construção.  O Estado também é o maior produtor de equipamentos e insumos para a indústria mineral, empregando mais de 200 mil trabalhadores.

O Estado possui mais de 2.800 minas em operação, com 95% de produção em areia, brita, calcário e argila. Só a Região Metropolitana de São Paulo recebe, diariamente, mais de 9 mil carretas de areia e brita. Diferentemente de outros estados, predominantemente exportadores, São Paulo é o destinatário final destes insumos, gerando riqueza e renda local.

O objetivo da Secretaria de Energia e Mineração é estabelecer uma política que estimule a produção e o atendimento da demanda compatível com outras formas de uso e ocupação do solo.

A competência pela concessão de outorga de pesquisa e exploração de recursos minerais é federal, cabendo ao estado a regulação ambiental das atividades e aos municípios a autorização para o exercício local dessas atividades.

Confira aqui as apresentações dos palestrantes:

Alexandre Passos – i9 Tecnologia

Carlos Nobre – TEC TOR

Celso Tessaroto – Exceltech

Claudio Schneider – CETEM

Daniel Debiazzi – Comin/Fiesp

Edvaldo Simões Fonseca – USP

Flávio Barros – Tenova

Geraldo Moretti – Moretti Engenharia

Joaquim Pimenta – Pimenta de Ávila Engenharia

José Mario Mafra – VOGBR

José Mendo – J.Mendo Consultoria

Marco Antônio Lainha – Cetesb

Paula Novaes – Haver & Boecker

Paulo da Pieve – Steinert

Ricardo Baracat – Weir

Ronaldo Rocha – IPT

Sandra Moraes – IPT

Vidal Felix – ITV

Vinicius Lisboa de Souza – Metso

Vinicius Vilela – Facix/Matec

Walter Arcoverde – DNPM