22/01/2016

Geração solar ganha escala e competitividade

O aumento da geração de energia solar levou a uma queda de 60% no preço dos equipamentos nos últimos três anos, fazendo com que a tecnologia fique economicamente competitiva globalmente pela primeira vez na história. Segundo estudo do Julius Baer, a energia solar deve competir com as fontes convencionais em breve, tendo um papel importante nos mercados emergentes.

Com isso, os custos globais da energia solar devem cair de, em média, US$ 2,50 por watt para US$ 1,50 por watt em 2020.
A demanda por energia renovável deve crescer, principalmente, nos emergentes, diz Norbert Rücker, analista de commodities do Julius Baer. Ele calcula que os negócios de energia solar e eólica no mundo podem ser avaliados em cerca de US$ 100 bilhões cada, levando em conta os complexos eólicos e projetos de energia solar vendidos anualmente no mundo.
O pico de projetos voltados para essas fontes de energia está acontecendo agora na maior parte mundo, e lentamente os investimentos estão ganhando força nos mercados emergentes, afirma Rücker. “Há estímulos, claro, acho que é uma questão de acontecer em alguns anos”, disse.
Como são projetos com retorno no longo prazo e com geração de fluxo de caixa segura e previsível, o analista vê atratividade para investidores internacionais.

Para os projetos de energia solar, as diferenças de estágio de desenvolvimento da indústria precisam ser levadas em consideração, além das diferenças nos custos de financiamento e nos subsídios dos governos. “A China oferece as melhores perspectivas de crescimento da tecnologia solar no mundo”, afirma Rücker. Segundo o analista, as tarifas e custos de instalação são atrativos no país, ajudando nesse crescimento.
Fora da China, Rücker não aposta em taxas “estelares” de crescimento do uso da energia solar, mas aponta que os declínios vistos nos custos de instalação e, consequentemente, nas tarifas, fazem a fonte um modelo mais viável e sustentável economicamente.
“Além disso, pode haver grande expansão em outros modelos sustentáveis, como uso de painéis solares em residências”, além das grandes usinas instaladas nos Estados Unidos e na América do Sul.
A redução dos custos dos investimentos em energia eólica e solar já tem provocado um crescimento dos projetos nos mercados desenvolvidos e na China.

Dados reunidos pelo Julius Baer mostram que, desde 2008, os novos empreendimentos nos Estados Unidos e Europa, antes dominados por energia hídrica, passaram a se concentrar em solar e eólica.
Na China, a grande maioria dos investimentos ainda é nas fontes termelétricas, com destaque para carvão e combustíveis fósseis. As hidrelétricas passaram a ganhar mais espaço no país asiático desde 2004 e, desde 2010, as fontes solar e eólica também ganharam espaço.
No Brasil, as eólicas têm se consolidado desde 2009. Desde então, quando aconteceu o primeiro leilão dessa fonte, o país já contratou cerca de 16,6 mil megawatts (MW) dessa fonte em leilões, sendo que 7,8 mil MW já estão em operação. Apenas em 2015, a capacidade instalada das eólicas cresceu 56,9%.

No caso da energia solar, o primeiro leilão bem sucedido aconteceu no fim de 2014, e outros dois foram realizados em 2015. No total, já foram contratados mais de 3,2 mil megawatts-pico (MWp), somando investimentos de mais de R$ 13 bilhões.