22/01/2016

Marinha dos EUA lança primeiro porta-aviões movido a biocombustível

A Marinha dos EUA, na última quarta-feira, lançou o seu grupo de porta-aviões alimentado, em parte, por uma mistura de biocombustível feito a partir de origem animal, considerado um marco para aliviar a dependência militar do petróleo estrangeiro.

A marinha anunciou que esses navios serão as peças principais da chamada “Great Green Fleet” (Grande frota verde) que faz parte de uma iniciativa para que 50% de sua energia seja proveniente de fontes alternativas nos próximos quatro anos.

Por enquanto, o mix de abastecimento dos navios é de apenas 10% de biocombustíveis e 90% de petróleo. A Marinha, inicialmente, havia proposto que a relação seria de 50% para cada fonte, mas o custo foi muito alto, embora esse cenário possa se inverter futuramente, contou o secretário da marinha Ray Mabus.

Mabus e o secretário da Agricultura, Tom Vilsack, inspecionaram um grupo de navios ao redor de San Diego, onde o porta-aviões de propulsão nuclear (USS John C Stennis) e o míssil guiado (USS Stockdale) já estavam sendo desenvolvidos há sete meses. O míssil e outros três navios são os primeiros a operar regularmente com uma mistura de biocombustíveis e petróleo.

“Isso nos dará uma vantagem estratégica”, disse Mabus. “O uso de bicombustíveis nos permitirá não ficar mais à mercê das flutuações dos preços do petróleo e das nações produtoras do mesmo”, continuou ele.

Vilsack considera a “frota verde” da Marinha uma grande oportunidade para a indústria de biocombustíveis, além de beneficiar os agricultores e gerar milhares de empregos.

Ambos embarcaram em um helicóptero para ver o oficial William P Lawrence reabastecer os tanques com a mistura de biocombustível, que é feito a partir de gordura animal proveniente do meio oeste da Califórnia e produzido pela empresa AltAir Fuels.

Os críticos, incluindo ambientalistas, dizem que a produção de biocombustíveis é ainda muito onerosa e em grande escala pode fazer mais mal do que bem, já que são necessárias grandes áreas agrícolas, fertilizantes e combustíveis para sua produção.

Mabus reforçou que nenhuma terra já utilizada para produção de alimentos será destinada aos biocombustíveis.

O Departamento de Defesa dos EUA é o maior consumidor mundial de energia, e a marinha consome mais de um terço dela, entretanto Mabus salientou que a “frota verde” não está envolvida apenas com a redução da pegada de carbono.

Todos os ramos militares estão olhando para cortar seus laços com petróleo estrangeiro como parte de uma estratégia de segurança nacional. O governo dos EUA investiu mais de US$ 500 milhões de dólares em biocombustíveis.

Todos os navios e aeronaves da Marinha foram certificados para usar biocombustíveis. A frota também inclui navios com propulsão nuclear e navios elétricos híbridos.

Por úlltimo, o secretário da marinha disse ainda que a tecnologia está evoluindo rapidamente e, no futuro, o biocombustível feito a partir de resíduos urbanos, cavacos de madeira e até mesmo resíduos de alimentos podem proporcionar preços mais baixos para uma mistura com maiores teores de biocombustíveis.