19/01/2016

ONS descarta uso contínuo de térmicas mais caras para atender o Nordeste

Uso termelétrico será eventual, em horas de pico, gerando menos de 2%, e não afetará o custo das bandeiras tarifárias

O Nordeste brasileiro não precisará que sejam religadas de forma contínua as usinas térmicas com custo de geração superior a R$ 600 MW/h, que foram desligadas em agosto do ano passado, juntamente com térmicas de outras regiões, afirmou o Ministério de Minas e Energia em nota publicada nesta segunda-feira, 18 de janeiro. Mesmo com a escassez de água nos reservatórios hidrelétricos da região, essas térmicas mais caras continuarão sendo usadas apenas para os seus objetivos originais: de fortalecer o sistema eventualmente, em horários de pico; de substituir outras térmicas em manutenção; ou compensar alguma restrição elétrica que dificulte o abastecimento de outra fontes.

O ONS esclarece que o custo dessas térmicas, quando usadas dessa forma, não entra no cálculo das bandeiras tarifárias, que é restrito às usinas escaladas no Programa Mensal de Operação (PMO), que descreve todas as usinas que serão utilizadas durante o mês (com revisão semanal). Já o uso dessas térmicas mais caras é definida na Programação Diária da Operação Eletroenergética e em Tempo Real.

Mas, mesmo que o custo do uso eventual dessas térmicas mais caras, por algumas horas do dia, fosse incluída nas bandeiras tarifárias, não teriam peso suficiente para alterá-las, por tratar-se de uma pequena quantidade de energia. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, por exemplo, essas térmicas representaram apenas 1,97% de toda a geração térmica do país ocorrida no período de 3 a 13 de janeiro de 2016. Foram somente 2.642 MW médios, dentro de uma geração térmica total de 125.186 MW médios, no período.

Essa situação de segurança poderá até melhorar ao longo do ano, segundo a avaliação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, reunido nesta semana. O abastecimento da região continuará sendo feito sem sobressaltos com a geração, mesmo reduzida, das usinas do rio São Francisco; com os parques eólicos da região, que continuam em expansão; com a importação de energia do Norte e do Centro-Sul; e com as térmicas de base da região.

E, a partir do momento em que os reservatórios da região norte estiverem mais cheios, a exportação de hidroeletricidade para o Nordeste poderá aumentar, reduzindo ainda mais o uso dessas térmicas eventuais em horários de pico de consumo.