07/01/2016

Sobradinho pode deixar de gerar energia em 2016

Usina tem produzido apenas 200 MW médios por dia; prioridade é garantir a continuidade das demais atividades econômicas rio abaixo

Há algum tempo a preocupação com o reservatório da hidrelétrica de Sobradinho deixou de ser a geração de energia elétrica. A falta de chuva reduziu o nível de armazenamento da usina para os atuais 2%, bem abaixo do percentual de 5,6% registado em 2001, ano do racionamento no Brasil. Caso esse percentual caia para zero, a hidrelétrica será desligada. A prioridade é evitar que as demais atividades econômicas abaixo da usina sejam comprometidas, como pesca, agricultura e o abastecimento humano, disse José Ailton de Lima, diretor de Operação da Chesf, em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia.

A região Nordeste enfrenta uma das piores secas da história, porém não corre risco de passar por um período de racionamento de energia elétrica. Devido ao prolongamento da estiagem na bacia hidrográfica do rio São Francisco, a Chesf recebeu, em dezembro, autorização especial do Ibama e da Agência Nacional de Águas para realizar o teste de redução da vazão de água liberada a partir do reservatório de Sobradinho, na Bahia. O objetivo é reduzir de 900 m³/s para 800m³/s.

O diretor de operações da Chesf reconheceu que a baixa produção da usina representa prejuízos financeiros para a companhia. Contudo, ele informa que a preocupação maior é com as demais atividades econômicas rio abaixo, uma vez que a geração eólica, térmica e a interligação com o Sudeste impedem que o Nordeste fique sem energia elétrica. “O problema não é a geração de energia elétrica… [O problema] é eu não conseguir soltar água para todas as atividades econômicas abaixo da usina”, explicou o executivo.

Em 2015, Sobradinho operou com apenas duas turbinas de 175 MW cada, produzindo cerca de 200 MW médios por dia. Segundo Lima, a Chesf realiza um rodízio para evitar que as seis máquinas da hidrelétrica fiquem sem operar por muito tempo. Lima ainda informou que, caso o reservatório chegue a zero, a usina será paralisada e o volume morto (nível abaixo das turbinas) será liberado para garantir os demais usos da água rio abaixo.  No início de dezembro, a usina quase foi desligada. Isso só não ocorreu porque houve uma pequena entrada de água no reservatório ao longo do mês.

Em janeiro de 2015, o reservatório da usina estava em quase 30%. Porém, este ano começa ainda mais desafiador para a operação de Sobradinho, já que o reservatório está em 2% de sua capacidade. “A expectativa para janeiro é que caia alguma chuva na região. O difícil é precisar a quantidade de chuva”, disse o executivo.

A hidrelétrica de Sobradinho está localizada nos municípios de Sobradinho e Casa Nova, estado da Bahia, a 40 km das cidades de Juazeiro (Bahia) e Petrolina (Pernambuco). A usina tem uma potência instalada de 1.050 MW e está posicionada no rio São Francisco. O reservatório de Sobradinho tem cerca de 320 km de extensão e é considerado o terceiro maior lago artificial do mundo, e segundo do Brasil. Além de geração de energia elétrica, a de principal função da usina é de regularização dos recursos hídricos da região. A abaixo de Sobradinho estão as usinas Moxotó (400 MW), Itaparica (1.479 MW) Complexo Paulo Afonso (3.880 MW) e Xingó (3.162 MW), todas da Chesf.

“Não é a usina que é importante. A barragem que é importante. A barragem que dá o caráter de uma regularização ao longo de todo o ano. Se eu não tivesse essa barragem de Sobradinho, no final de novembro de 2015 nós teríamos chegado a vazão de 150 metros cúbicos por segundo”, concluiu o diretor da Chesf.