04/02/2016

Acesso ao crédito é crucial para o destravamento dos projetos de bioeletricidade

A bioeletricidade sempre foi boa alternativa para a geração de energia para o país. Essa é a opinião de Paulo Gallo, presidente do Ceise Br. Porém, o governo não enxergou isso. “Tanto que o Brasil não apagou porque entramos numa recessão, porque existe um déficit de oferta de energia elétrica”, afirma.

Além de poder contribuir muito mais com a oferta de eletricidade, a energia que vem da cana tem outros benefícios e o principal deles é o fato de ser renovável. “Isso que é o mais importante”, segundo ele.

Gallo participou de ações que buscaram políticas públicas efetivas a favor da bioeletricidade. “O governo chegou a nos ouvir. Inclusive um dos últimos leilões de 2015 até o preço do MW foi convidativo, chegando a R$ 282,00/MW, que é um preço bom, porém as linhas de crédito foram cortadas.”

Ele explica que, até então, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiava 90% do empreendimento, com 36 meses de carência e com juros de 3% ao ano. “Depois o BNDES mudou isso: passou a financiar apenas 50% do projeto, e a taxa de juros dobrou. Se um empreendimento que começava a dar retorno em sete ou oito anos, esse prazo passou para quatorze anos. Isso inviabilizou vários que estavam em andamento”, relata Gallo, que já participou de grupos que, por duas ocasiões, foram à sede do banco, no Rio de Janeiro, para tentar melhorar a taxa de juros e retomar o acesso ao crédito.

De qualquer forma, para o presidente do Ceise Br, pelo menos houve uma sinalização positiva. “Vamos aguardar as próximas chamadas, acompanhar qual vai ser o padrão de preço, mas sempre lembrando que o financiamento é fundamental. Não é que o BNDES vai dar dinheiro, ele vai viabilizar o negócio. Se fecha um contrato de energia, o empresário tem cinco anos para começar a gerar essa energia e faturar. Nesses cinco anos a empresa apenas gasta. Sem financiamento as usinas não têm capital próprio para sustentar a sua operação e o investimento.”

Por isso, Gallo enxerga que o papel do sistema financeiro é preponderante no processo de viabilização dos projetos. “Mas acho que em 2016 podemos ter um destravamento para isso tudo.”