26/02/2016

CMSE autoriza desligamento de mais 15 térmicas em 1º de março

Decisão representa economia de R$ 8 bi, com redução estimada na tarifa entre 6% e 6,5%. Bandeira verde será adotada a partir de abril, antecipa Braga

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou o desligamento, a partir de 1º de março, de mais 15 usinas termelétricas com Custo Variável Unitário acima de R$ 250,00/MWh e potência total de 3 mil MW. A decisão tomada nesta quinta-feira, 25 de fevereiro, em reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, vai significar economia adicional de R$ 8 bilhões por ano para o setor, com impacto estimado de 6% a 6,5% a menos na tarifa de energia.

Em março, será aplicada a bandeira amarela. Continuarão ligados 12 mil MW de usinas com CVU abaixo de R$ 250,00/MWh até o início do mês de abril, quando o regime muda para a bandeira verde e nenhum custo adicional vai incidir sobre a tarifa. Mantidas as condições positivas em termos hidrológicos, a partir de abril serão desligados aproximadamente 2 mil MW de térmicas com custo acima de R$ 211,00/MWh.

Na reunião mensal de 3 de fevereiro, o CMSE ja havia decidido desligar sete termelétricas com CVU acima de R$ 420,00/MWh e potência instalada em torno de 2 mil MW, a partir de 1º de março. A redução de custos anunciada na ocasião era de R$ 720 milhões por mês.

Em agosto de 2015 foi feito o primeiro desligamento de térmicas, quando deixaram de operar 21 usinas com custo unitário superior a R$ 600,00/MWh. A redução no custo de geração  com a medida foi de R$ 1,1 bilhão por mês, e o valor da bandeira vermelha passou de R$ 5,50 para R$ 4,50 a cada 100 kWh consumidos. Considerando o valor da bandeira vermelha que vigorava antes de agosto, houve uma redução de 10% em termos de impacto na tarifa, segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Romeu Rufino. Desde fevereiro, foram definidos dois patamares para essa bandeira – de  R$ 4,50 e de R$ 3,00 a cada 100 kWh.

Braga explicou que a entrada de energia nova no sistema, o aumento da capacidade dos reservatórios e o a redução do consumo  este ano permitiram o desligamento adicional de usinas anunciados hoje. O ministro justificou a reunião extraordinária do comitê afirmando que a Aneel precisa de previsibilidade para ajustar o calendário da bandeira tarifária.

Uma das razões para a decisão é que a bandeira começa a vigorar no primeiro dia do mês, reforçou o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp. Outro motivo é a divulgação do Programa Mensal de Operação de março nesta sexta-feira, 26. “Amanhã começa o PMO de março e a gente precisava decidir quanto a gente vai rodar de térmica”, afirmou Chipp.

O ONS apresentou ao ministro uma antecipação do PMO, que trabalha com uma previsão de que os reservatórios chegarão a abril com armazenamento entre 60% e 70%. Em novembro, a estimativa é de que o nível de armazenamento vai chegar a 30%.