01/02/2016

Comgás aposta em inovação para manter crescimento

Apesar de sofrer os efeitos da valorização do dólar e da redução da demanda, a Comgás está conseguindo manter o ritmo de crescimento buscando inovações tecnológicas que aumentam o uso do gás natural, afirmou o presidente da companhia, Nelson Gomes, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, no começo de janeiro.
“Em que pese toda a conjuntura econômica que estamos atravessando, temos conseguido fazer com que os resultados cresçam graças a inovação, essa forma de buscar incansavelmente novos usos e aplicações para o gás natural”, disse Gomes, que até então era presidente da Cosan, controladora da Comgás desde 2012.

Esses projetos passam, por exemplo, pela construção de uma rede integrada alimentada por gás natural comprimido para abastecer Campos do Jordão, expandindo a area de fornecimento dentro da área de concessão. A Comgás investe também na cogeração de energia usando gás natural para clientes industriais e residenciais, e no desenvolvimento de produtos como geradores que utilizam diesel (40%) e gás natural (60%).

Até o fim de setembro de 2015, a Comgás tinha 1,5 milhão de clientes interligados à rede, com potencial para outros 7,5 milhões de clientes em toda a área de concessão. O objetivo, no longo prazo, é chegar a esses consumidores.
“Inovação, tanto para novos usos de gás quanto para o barateamento dos custos de conexão, são investimentos que vamos fazer pelo resto da vida. São coisas que teremos de fazer sempre para buscar novos caminhos para levar energia de forma competitiva para os consumidores”, afirmou Gomes, completando que é no momento de crise que a companhia aproveita para pensar no que pode fazer para melhorar a eficiência e baratear o serviço.

Os investimentos em inovação e a queda dos preços do gás natural – como consequência do petróleo – ajudaram os serviços da Comgás a ficarem mais competitivos em comparação com a energia elétrica convencional, que, por sua vez, teve um aumento muito forte nos preços ao longo do ano passado.
Nos primeiros nove meses do ano passado, a Comgás reportou queda de 2,8% no volume total de gás distribuído. Sem essas medidas utilizadas para expandir o número de conexões, a queda teria sido muito maior, disse Gomes.

“Nossos planos são sempre de cinco anos, nossa visão é de longo prazo. A conjuntura econômica mais dia menos dia vai mudar, claro que as sementes que plantamos hoje vamos colher os frutos lá na frente”, afirmou.
Para garantir a oferta de gás natural no longo prazo, a companhia conta com alternativas como gás natural liquefeito (GNL) importado, gás transportado da Bolívia via gasoduto, ou ainda o gás do pré-sal. O Rota 4, projeto de gasoduto vindo do pré-sal anunciado em julho do ano passado, ainda está nos planos da Comgás, mas para 2025. “Um dia os preços do petróleo voltam a subir, o investimento voltará a ser viável, queremos estar preparados para esse dia”, afirma.

O gás natural é competitivo para as indústrias, mas a grande dificuldade ainda é o acesso à rede de distribuição. “Até abastecemos de caminhão enquanto estamos construindo a rede, mas a partir do momento em que temos a possibilidade de fazer chegar na indústria, dificilmente temos uma fonte de energia tão competitiva como o gás natural”, disse o executivo.
Em meio à consolidação da estratégia de buscar novas formas de aplicação do gás natural, a Comgás apresenta hoje ao mercado e aos consumidores sua nova marca. A companhia contratou uma consultoria responsável pelas mudanças, em um trabalho que durou sete meses.

Sobre a percepção do mercado, em que a volatilidade tem marcado os últimos pregões, Gomes se mostrou confiante. “Esse é o momento de olhar para dentro da empresa, ser mais eficiente, gerar valor para o acionista e para o cliente, que é quem nos remunera. Com o tempo, o valor disso certamente será refletido no preço das ações”, afirmou.