05/02/2016

Maior usina de energia do lixo começa a operar em 2020 na China e terá área de visitação

Em 2020, a cidade de Shenzen, na China, deve inaugurar a maior usina de conversão de lixo em energia do mundo, com capacidade de incinerar 5 mil toneladas de resíduos por dia. Além de uma série de elementos técnicos e de construção inovadores, a usina terá um circuito de visitação para que o público conheça o processo de tratamento e produção de energia e pretende educar as pessoas a reduzirem sua quantidade de produção diária de lixo.

As empresas dinamarquesas Gottlieb Paludan e Schmidt Hammer Lassen venceram uma competição internacional feita para selecionar o projeto da usina. A construção deve começar até o fim de 2016.

O projeto quer ser referência na produção de energia do lixo tanto do ponto de vista da tecnologia aplicada a grandes quantidades de resíduos quanto de maneiras mais ambientalmente corretas de gerar energia.

Proposta para uma região montanhosa nos arredores de Shenzen, a usina circular terá com cobertura 66 mil metros quadrados, sendo que dois terços da cobertura (44 mil metros quadrados) serão forrados de painéis fotovoltaicos para gerar a energia solar necessária para o funcionamento da usina. A energia extra gerada deve ser destinada à cidade.

Segundo os arquitetos da Gottlieb Paludan, a estrutura circular abrigará todas as partes do processo de tratamento do lixo num único prédio, mudando o tradicional layout de usinas feitas com blocos de edifícios retangulares distantes interligados. Essa mudança visa reduzir o impacto ambiental local da construção da usina e minimizar os trabalhos de escavação da região.

Uma passarela vai permitir a visão de toda a maquinaria e do funcionamento dos sistemas de incineração e produção de energia através do lixo. No fim da linha, um passeio público no topo do prédio vai permitir ver a paisagem da cidade de Shenzen.

O escritório Gottlieb Paludan é autor também de um projeto de uma usina de biomassa em Copenhagen, na Dinamarca, com previsão de conclusão em 2020. Lá também está prevista uma área educativa e aberta à visitação.

A ideia de integrar as usinas de tratamento de resíduos na paisagem das cidades ou incluir circuitos abertos de visitação vem ganhando força. O exemplo mais surpreendente é o projeto do também dinamarquês escritório BIG (Bjarke Ingals Group) para uma central de tratamento de resíduos, que terá uma pista de esqui de 85 metros partindo do topo da usina e áreas verdes para os moradores da cidade de Copenhagem.

A ideia de uma pista de esqui não é fortuita. A cidade tem muita neve, mas é uma das mais planas da Europa.
A central deve estar pronta em 2017 e vai processar 400 mil toneladas de resíduos por ano, fornecendo aquecimento para cerca de 160 mil domicílios e energia para 62 mil. Ali também serão processados metais e haverá tratamento de água.

Na Dinamarca apenas 4% do lixo produzido vai para em aterros a céu aberto, 42% é reciclado e 54% transformado em energia.